Impasses no processo de adoção no Brasil
Enviada em 01/09/2019
No mundo animal ter descentes é um mecanismo de propagação da espécie, porém, quando levado para o ser humano, ter um filho ultrapassa esse significado por todo caráter afetivo que é gerado entre os membros. Com isso, muitos casais optam pela adoção como meio de formar uma família; todavia, esse caminho enfrenta barreiras como preconceito social e dificuldades dos adotantes e adotados.
Primeiramente, um dos grandes desafios está relacionado a questões culturais, o qual apresenta uma diferença entre o perfil desejado e o disponível - cerca de 75% dos pais adotivos querem crianças com menos de 4 anos, sendo elas apenas 4,1% das possibilidades. Tal comportamento está atrelado a valores que visam dar um perfil ao jovem; logo, querem moldar esse novo ser de acordo com os próprios costumes.
Atrelado a isso, há fatores como a preparação dos pais e da criança para o novo lar e nova rotina, sendo esse fator mais importante do que a seleção; pois alguns casais visam a adoção como mecanismo de melhoria de relacionamento, como se ela trouxesse a solução para os conflitos. Diante disso, faz-se necessário a construção da parentalidade, que é um processo contínuo, de modo a refletir sobre as motivações, fantasias e medos, para, assim, constituírem uma imagem do filho e atribuir características familiares.
Infere-se, portanto, que o processo adotivo não ocorre de maneira simples e direta, sendo um percurso repleto de impasses, como pertencimento a um perfil e a adaptação ao novo mundo com a chegada da criança. A fim de facilitar esse encontro de mundos distintos, a prefeitura municipal, conjuntamente ao ECA, devem usufruir da tecnologia para apresentar e integrar gradualmente os envolvidos, de maneira a permitir contato com fotos, vídeos e conversação de maneira a aproximar até uma certa moldagem de ambos, semelhante ao período de gravidez, cujos pais vão aos poucos alterando o dia-a-dia a nova rotina.