Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 12/11/2021
Na obra “Utopia”, do filósofo inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, a hodierna realidade brasileira diverge da visão do autor, uma vez que o lixo plástico tem causado impactos ao meio ambiente, dado o seu crescente volume e longo tempo para degradação, que o torna quase onipresente, no mar ou em terra. Esse cenário antagônico é resultante tanto da massificação da produção, quanto da inépcia do governo. Diante disso, necessita-se a análise desses aspectos para restabelecer a harmonia social.
A princípio, faz-se mister apontar o incremento da produção e do consumo como impulsionadores daqueles rejeitos na natureza. A esse respeito, a indústria, ao longo do século XX, experimentou um incremento vertiginoso em sua produção, a partir do fordismo e suas inovações, como as linhas de montagens. Nesse contexto, a utilização do plástico representou enormes vantagens por seu baixo custo e por sua alta aplicabilidade, que universalizaram seu uso. Ademais, a crescente expansão fabril se deu em face da crença na Lei de Say, postulado econômico na qual toda oferta gera uma demanda correspondente, e da absorção de seus frutos pelo mercado, auxiliados por ações como a propaganda e o aumento da renda. Assim, tudo isso redundou na sociedade de consumo, onde quanto mais manufaturas, mais dejetos e poluição.
Outrossim, é igualmente relevante notar o papel da incúria governamental como elemento de fomento desses descartes no ambiente natural. Nesse viés, Arthur Pigou, economista inglês, empregou o termo externalidade para designar qualquer resultado com origem em algum processo produtivo, que não tem seu custo ou lucro aferido nele. Nesse sentido, as fábricas, ao usarem largamente insumos plásticos, criaram uma externalidade negativa, posto que toda embalagem ou artefato com essa matéria prima necessitam uma destinação ao seu fim, que não têm esse custo atribuído aos seus produtores. Desse modo, caberia ao Estado administrar essa ocorrência, impondo esse dispêndio ao seu causador, pois o seu uso é uma opção de maior lucro aos capitalistas, mas que gera ônus a toda a sociedade. Logo, ao não o fazer, configura-se a inépcia e contribui-se para o agravamento do quadro.
Urge, portanto, que medidas exequíveis sejam tomadas para sanear essa questão. Dessarte, a Secretária do Meio Ambiente – responsável pelas políticas do setor – deve propor projeto de lei com a finalidade de criar um sistema de logística reversa do lixo plástico, com a coleta e a recompra de embalagens e de moldados derivados de petróleo, que envolveria toda a cadeia produtiva no seu financiamento. Tal iniciativa seria feita por meio de audiências públicas, que teria o condão de alertar a população para o consumo consciente, sem excessos. Com isso, a utopia de More seria alcançada.