Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 09/08/2020
Consoante o artigo 225 da Constituição Federal, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo. Contudo, quando se observa os impactos do lixo plástico no meio ambiente, constata-se que tal premissa diverge substancialmente na prática. Nesse peculiar, convêm analisar os efeitos deletérios que o lixo plástico gera, como o desequilíbrio nos ecossistemas - sobretudo no marinho - bem como as mazelas sociais. Logo, faz-se necessário encontrar subterfúgios a fim de mitigar tais problemas.
É cabível destacar, a priori, que o lixo plástico quando descartado incorretamente, causa instabilidade nos biossistemas. Sob esse viés, é sabido que na Segunda Revolução Industrial, o uso de petróleo possibilitou a produção de plástico e, até os dias atuais, grande parte dos produtos, principalmente embalagens, são produzidos dessa maneira e descartados após o primeiro uso. Entretanto, quando não há destinação correta, o plástico persiste na natureza por muitos anos, visto que sua degradação é lenta, fato que altera a cadeia alimentar da fauna aquática e pode provocar a extinção de inúmeras espécies, já que muitos animais se confundem e comem o plástico, morrendo por intoxicação. Assim, é premente a mudança de hábitos sociais e o incentivo à consciência ambiental.
Outrossim, a utilização exacerbada do plástico pode causar graves problemas sociais devido as desacertadas ações antrópicas. Nesse prisma, segundo o filósofo Max Horkheimer, o homem busca incessantemente dominar a natureza, ainda que a natureza frequentemente revolte-se contra ele. Nesse sentido, os resíduos plásticos descartados pelos indivíduos podem causar entupimentos de valas e bueiros, que geram enchentes e desabrigam pessoas, principalmente os moradores de periferias. Tal efeito permite ratificar que, além das ações irresponsáveis de muitos indivíduos, ainda não há políticas adequadas de descarte, e resíduos são eliminados de forma inadequada em locais irregulares, evidenciando a necessidade de vias salutares objetivando ao enfrentamento do problema.
À vista disso, é essencial a reformulação de políticas públicas para minorar os impactos do lixo plástico. Destarte, cabe ao Poder Executivo criar diretrizes que regulamentem e reduzam o uso do plástico, bem como intensificar as já existentes sobre o descarte adequado do lixo, por meio de sanções jurídicas, com a aplicação de multas para estabelecimentos que gerarem lixos plásticos acima de um limite estabelecido, com o fito de estimular condutas sustentáveis no tecido social. Além disso, as escolas devem introduzir uma educação ambiental na grade estudantil, mediante palestras sobre o tema, com a finalidade de abordar e ensinar desde cedo sobre a importância da reciclagem no contexto social. Espera-se, com isso, respeitar os descritos da Constituição.