Impactos do lixo plástico no meio ambiente
Enviada em 20/02/2020
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito dos impactos ambientais ocasionados pela fabricação excessiva e o descarte incorreto do plástico. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também, ao descarte inapropriado do lixo.
De início, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação à gestão e ao desenvolvimento de projetos socioambientais, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar a mazela social. Porquanto, os dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), os quais revelam que apenas 9% de todo o plástico já produzido foi reciclado, exemplificam o desdém político-administrativo das nações. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações político-sociais nacionais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e o país se torne exemplo para os demais na referida questão.
Outrossim, a ação antrópica contribui para a acentuação da problemática. A 3ª Lei de Newton assegura que, para toda ação, há uma reação de mesma intensidade. No contexto do tema apresentado, a ação do homem provoca reações em cadeia que trazem consigo adversidades à sociedade e aos ecossistemas. Em síntese, o descarte incorreto do plástico proporciona a formação de problemas socioambientais, tais como a morte de milhões de espécies e alagamentos nos centros urbanos. Posto isso, práticas sustentáveis devem ser adotadas agora, para que, consoante a máxima do filósofo alemão Hans Jonas, o homem e o efeito de suas ações não comprometam a qualidade de vida e a saúde das futuras gerações.
Logo, para que o triunfo sobre os impactos do lixo plástico seja consumado, urge que o Ministério do Meio Ambiente em conjunto ao Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova palestras regulares no ensino público, de modo a desenvolver nas futuras gerações uma consciência coletivista e ambientalista. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada por uma inserção de políticas socioambientais na sociedade, com o fito de habituar os cidadãos às práticas sustentáveis. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados nas fábricas de reciclagem, com o objetivo de estimular o desenvolvimento sustentável. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.