Impactos do lixo plástico no meio ambiente

Enviada em 17/02/2020

No século XX com a consolidação da produção em massa e o consumismo, a descoberta do plástico pareceu um grande “milagre”, pois estava em tudo: nas garrafas PET, nas sacolas de feira, nos materiais de construção. Entretanto, não nos preocupamos com o seu descarte e existem hoje 5 bilhões de toneladas de plástico espalhadas pelo mundo e apesar de o discurso contra a poluição ganhar força, a falta de educação ambiental e a carência de políticas públicas em relação à problemática desses resíduos, fazem com que o Brasil seja quarto maior produtor desse lixo no mundo.

Primeiramente, é preciso entender o indivíduo e sua relação com o plástico, pois esse material é muito prático no dia-a-dia de uma pessoa apressada e criou-se até um apelido para ele: “descartáveis”. É assim que o povo brasileiro chama os utensílios utilizados para economizar o tempo necessário para lavar os pratos, por exemplo. O sociólogo Taine, ao dissertar sobre o comportamento humano, diz que esse é determinado pelo meio e momento histórico no qual o homem está inserido. Nessa ótica, o cidadão brasileiro que não tem acesso à educação ambiental, nem tem consciência dos impactos que o resíduo plástico que descarta indevidamente causa ao meio em que vive - como os alagamentos, e desabamentos - termina por contribuir para a colocação mundial vista acima.

Além disso, é necessário analisar o sistema, a responsabilidade do lixo plástico não é somente do cidadão, mas também das prefeituras espalhadas por todo o país no recolhimento e tratamento desse. Atualmente muitas delas jogam fora os resíduos indevidamente em lixões, não há medidas severas para combater o descarte em rios e mares onde animais aquáticos morrem por confundirem esses dejetos com alimento; às vezes não há lixeiras pelo centro da cidade onde esse lixo pode contribuir para a proliferação de doenças como leptospirose e dengue ao acumular água parada. Thomas Hobbes ao introduzir o conceito de Contrato Social que é assinado pelo Estado e pelos contribuintes, afirma que uma das partes, ao deixar de cumpri-lo, fará o homem entrar em estado de guerra. Ao trazer para o contexto em discussão, o caos do lixo plástico torna-se o conflito e as prefeituras e o Estado, como um todo, quebram este contrato ao não desempenhar seu papel de educar e tratar os resíduos plásticos.

Portanto, para reduzir os impactos causados pelo lixo plástico no Brasil, é necessário que o Ministério da Educação (MEC) adicione a educação ambiental como disciplina exclusiva na base nacional comum curricular (B.N.C.C), a qual será ministrada por professores de biologia com qualificação pedagógica para o ensino desde a primeira infância, com o objetivo de contribuir com a formação de cidadãos conscientes acerca dos impactos que os resíduos podem causar e sobre como podem exercer a cidadania ao exigir e cobrar das prefeituras o destino correto do lixo plástico.