Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 06/07/2021
Ao longo do processo de formação da sociedade, a imagem do idoso consolidou-se em diversas comunidades. Nos povos primitivos, por exemplo, a expectativa de vida era baixa e os membros mais velhos eram venerados, considerados sábios. Com o avanço tecnológico, fruto da Revolução Industrial, a sabedoria valorizada passou a ser a capacidade de produção e não a idade. Nota-se que a concepção da velhice mudou, juntamente com a expectativa de vida da população, que aumentou. Assim, o progresso da medicina no Brasil possibilitou o aumento da expectativa de vida, gerando impactos econômicos e sociais manifestados nas diferentes tendências de consumo e no preconceito com os anciões (idadismo), que começaram a ser considerados, por muitos trabalhadores, como inválidos.
Primeiramente, os avanços medicinais serviram à sociedade de maneira contraditória, pois, ao mesmo tempo que aumentaram a expectativa de vida, fizeram com que os idosos passassem a ser vistos depreciativamente, devido a sua reduzida capacidade de produção causada pelo desgaste físico. Com efeito, o militante anarquista Paul Lafargue, em sua obra “Direito à preguiça”, satiriza a forma como o trabalho atual é valorizado. Dessa forma, o idadismo está diretamente relacionado à ideia de que pessoas velhas são incapazes de se adequar aos atuais mecanismos de produção, gerando problemas sociais, como a segregação dessa parcela da população.
Ademais, o que dita as tendências de mercado são os seus compradores, consequentemente, sendo a maior parte da população brasileira composta de idosos, o mercado se focará em atender as necessidades dessa faixa etária, transformando-os em consumidores majoritários, sendo os responsáveis por movimentar considerável parcela da econômia. Segundo o filósofo Schopenhauer, o homem é guiado pelas suas vontades e nunca estará satisfeito, assim, os anciões, como os mais jovens, são sensíveis aos seus desejos, tornando-se potênciais impulsionadores da econômia brasileira.
Portanto, faz-se necessário que o Estado, juntamente com canais midiáticos, desenvolva propagandas e anúncios informativos e instrutivos - que serão veículados na internet e televisão aberta, com verbas governamentais - sobre a problemática advinda do preconceito contra idosos e as oportunidades do proeminente mercado consumidor constituído por anciões; visando comunicar à população o quão prejudiciais são os efeitos do idadismo e atrair investimentos e empreendedores à nova tendência de mercado. Somente assim a sociedade estará livre da marginalização da população idosa e a econômia do Brasil se ampliará e se adequará à nova realidade de consumo.