Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 07/11/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à vida e ao bem estar social. Conquanto, o tratamento desumano ou degradante aos idosos impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
Em primeiro lugar, o papel figurativo do velho, no Brasil, repercute negativamente na perspectiva de vida do senil. Isso é evidente na literatura brasileira, com a personagem Dona Benta, na obra de Monteiro Lobato, escritor modernista, que dedica sua velhice a cuidar e cozinhar para os netos, enquanto os adultos jovens são os provedores do sustento. Não obstante, a vida imita a arte. Hodiernamente ao completar 60 anos o idoso está apto a “descansar”, aproveitar as férias permanentemente a viver a “melhor fase”, porém sem companhia, pois toda família tem de trabalhar.
Em segundo lugar, a dinamicidade do mercado de trabalho exclui de modo demasiado o idoso. Com o advento da tecnologia, inúmeras profissões estão sendo extintas e, consequentemente, surge uma série de desempregos estruturais. Parte desses desempregados têm idade avançada e não possui tempo hábil para reaprender um novo ofício. Segundo o IBGE, em 2060, 25% da população terá mais de 60 anos. Sendo assim, é esperado um desequilíbrio substancial na economia do país, tanto pelo crescimento de idosos na população quanto pela exclusão indiscriminada de mão de obra.
Em vista disso, cabe aos Estados, desenvolver políticas públicas de saúde preventiva para os idosos, por meio de palestras, oficinas e consultas com profissionais especializados para traçar o perfil do cidadão e auxiliar na promoção e melhora da qualidade de vida. É necessário, ainda, que haja incentivos fiscais para empresas que contratarem idosos inativos no mercado de trabalho. Dessa forma, será possível reduzir o déficit no setor previdenciário e a escassez de mão de obra.