Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 10/06/2020

Atualmente, mesmo que as condições de vida, sob o ponto de vista sócio-econômico não tenham melhorado, significativamente, para uma parcela populacional dos países subdesenvolvidos, taxas de mortalidade vêm experimentando substanciais diminuições. Este tipo de processo de envelhecimento defronta países como o Brasil, com um duplo encargo na área da saúde, considerando que essa faixa etária está mais propensa a doenças crônicas, como a diabetes e hipertensão. Na prática, tais questões certamente refletirão em um acompanhamento constante por parte de médicos e demais profissionais da área — algo que, por sua vez, tendem a gerar muitos gastos assistenciais.

Segundo o painel de precificação da ANS, o custo da assistência de um idoso com mais de 60 anos é superior ao dos jovens - ao todo, 6,9 vezes mais em internações, 7,5 mais nos exames e 5,7 em terapias. E em relação aos medicamentos para o processo de tratamento, as visões sobre o futuro da saúde também estão longe de ser positivas. Nessas horas, vale se lembrar de que a compra de remédios ainda representa uma das principais fontes de despesa para os sistemas do setor e para os cidadãos - o que certifica um estudo editado pelo BNDES, em que aponta um valor de 40% destinado a gastos nacionais com saúde. Esse cenário tende a tornar-se mais grandioso e catastrófico devido a previsões que ressaltam a desigualdade social, mal gestão do dinheiro público e a falta de um preparo especial no segmento da saúde no Brasil.

Sem dúvidas, será de grande necessidade, fortalecer o modelo de maior atenção à saúde da terceira idade, pois há poucos espaços integralmente destinados a este público – principalmente aos de baixa renda, já que, atualmente, as residências e centros de recreação, acabam se restringindo às classes socioeconômicas mais altas. Além disso, a relação entre os profissionais de saúde e os mais velhos com certeza também precisará de reforço. Gerando assim, um número satisfatório de profissionais com habilidades específicas para atendimento, uma priorização dos estudos de geriatria e gerontologia no Ensino Superior, uma ampliação de cursos de capacitação e um investimento em recursos humanos voltados para a modalidade.

Em suma, o envelhecimento da população carece de um diagnóstico de saúde a níveis nacionais e regionais, que possa conduzir a propostas realistas. As intervenções que daí surgirem, deveram se basear em métodos inovadores, que possam favorecer para uma atenção ao idoso, em bases humanísticas e, ao mesmo tempo, compatíveis com a realidade sócio-econômica do país. O objetivo final deve ser sempre a manutenção comum da sociedade, com um número de idosos contribuindo ativamente, mantendo grau de autonomia e dignidade, pelo maior tempo possível.