Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 04/08/2019

O avanço da medicina, a maior adesão à atividade física e a preocupação com hábitos saudáveis propiciou o aumento da expectativa de vida. Esse contexto relacionado com o fato da população idosa no Brasil ser elevada e com tendência a crescer, de acordo com dados do IBGE, evidencia a demanda por serviços específicos, atendimento básico ao idoso e uma cultura inclusiva que reconheça-os como parte fundamental da sociedade.

Inicialmente, o Estatuto do Idoso representou uma relevante conquista de direitos, entretanto eles não são totalmente efetivados, cujo reflexo é a dificuldade do idoso se integrar na sociedade. Desde o acesso a serviços básicos e arquitetura excludente nas construções públicas, até a dificuldade de ingresso e permanência no mercado de trabalho. Tal contexto se distancia do conceito da “Teoria do Espaço Público” de Hannah Arendt, o qual afirma que as instituições públicas devem incluir todo o espectro social, para que, somente desta maneira, possam exercer sua total genuinidade. Essa definição da socióloga alemã corrobora com a necessidade do Estado se adaptar ao envelhecimento populacional.

Além disso, um empecilho presente nos dias atuais é a mentalidade retrograda de uma parcela da população, a qual associa muito do que é velho como sinônimo de ruim. Exemplo disso é o fato de inúmeros jovens utilizarem a palavra velho como ofensa ou para depreciar algo. Ademais, o contexto do avanço tecnológico, pouco acompanhado pelos idosos, aliado a baixa oferta de pessoas para inseri-los nesse “mundo novo”, condiciona-os a permanecerem, cada vez mais, excluídos e com dificuldade de se relacionarem com pessoas de outras faixas etárias. Isso evidencia o caráter individualista contemporâneo, o qual reforça o conceito de “modernidade líquida” do filósofo Zygmunt Bauman, em que, para ele, “as relações escorrem pelos vãos dos dedos”.

Portanto, com o objetivo do Estado e da sociedade acompanharem o envelhecimento populacional, o Governo Federal, Estadual e Municipal devem agir concomitantemente para possibilitar a acessibilidade do idoso variados ambientes públicos - com a instalação de elevadores e rampas de acesso - por meio do redirecionamento das verbas da União, e assim minimizar os obstáculos estruturais. Como também, o Ministério da Saúde deve gerar conteúdo educacional, a ser difundido por meio das redes sociais e emissoras de TV, com a finalidade de aprofundar o conhecimento da sociedade sobre esse tema. Para que assim seja possível criar tanto um maior engajamento da sociedade com as pessoas da terceira idade, quanto viabilizar que eles disfrutem, com qualidade, o aumento da expectativa de vida.