Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 20/09/2019
No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que envelhecimento populacional não afeta drasticamente a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, naturalizando esse modo de pensar, é preciso notar o quanto esse ponto de vista é ingênuo ao possibilitar que o indivíduo se isente da culpa e aponte culpados.
É um processo esperado de todas as nações. Não ter um sociedade apta a cuidar e interagir com idosos é um dos obstáculos que podem surgir. Problemas econômicos podem ocorrer por causa da transição demográfica. Esses entendimentos sobre mudança na pirâmide etária, mesmo que simplistas, tendem a ressaltar fatores como dados da ONU, que indicam que em 2080 o Brasil poderá ter mais idosos do que crianças. Em geral, quando a sociedade não se predispõe a assumir posturas críticas e sensatas, toda a atualização de valores fica propensa a exaltar padrões de conduta nocivos e desvirtuados que banalizam tal problema. Como se não bastasse, há de se atentar, também, à forma perniciosa como diversos segmentos sociais se comportam diante desse assunto, ao subestimar os efeitos de ter mais idosos e uma redução da população economicamente ativa,o que afeta a economia.
Por conta disso, no debate acerca do aumento de indivíduos mais velhos na nação, é preciso enfatizar a urgência do investimento em um maior senso de corresponsabilidade coletiva. Dessarte, em consonância com as ideias da Teoria da Coesão Social, de Durkheim, e do poeta John Donne, não se deve perguntar por quem dobram os sinos, deve-se notar que dobram por todos. Desse modo, é possível evitar a proliferação de posturas meramente acusatórias que, além de desprezarem a atuação pouco eficaz ou inexistente de agentes públicos, também agenciam o aborto de sonhos e o assassinato de esperanças, ao passo que o serviço de saúde será modificado e impulsionado, segundo o Instituto Superior de Economia e Gestão, mas a coletividade não está apta a lidar e não está acostumada a respeitar as pessoas dessa faixa etária. Sob essa égide, mais do que se eximir da culpa para apontar culpados, os brasileiros devem atentar-se ao seu poder de ingerência e resolução.
Decerto, quando restrita a fatores inoportunos, qualquer iniciativa contra os impactos negativos do envelhecimento populacional está fadada ao insucesso. Portanto, faz-se necessário que o Estado, por meio da parceria entre os Ministérios da Saúde, da Educação e mídias sociais, garanta o melhor tratamento para idosos, seja no sistema de saúde, que sofrerá alterações, ou no cotidiano, divulgando informações sobre a importância do respeito a essa classe via instituições de ensinos, internet e televisão. Afinal, parafraseando o filósofo grego Heráclito, a mudança deve ser a base de tudo.