Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 15/09/2021
As complexas civilizações da Antiguidade buscaram se sedentarizar ao redor de rios, como o Tigres e Eufrates. Nesse cenário, foi possível desenvolver, pelos mesopotâmicos, técnicas de irrigação e, assim, a agricultura. Contudo, na contemporaneidade, devido ao uso excessivo, a escassez hídrica é realidade mundial. No Brasil, apesar do país possuir 12% da água doce no mundo, a má gestão estatal desse recurso e o agronegócio ameaçam a qualidade de vida dos brasileiros, no âmbito social e econômico.
Convém ressaltar, a princípio, a desigual distribuição dos recursos hídricos pelo país. Isso porque a maior parte do volume de água doce no Brasil está concentrado na região norte, na bacia amazônica. De acordo com a Constituição federal de 1988, é dever do Estado garantir o saneamento básico, incluindo o abastecimento de água, para a população. Entretanto, comprovando sua negligência, o governo adiou em 10 anos a conclusão da obra de transposição do rio São Francisco, que levaria água até parte do sertão nordestino. Por conseguinte, os brasileiros das regiões de seca têm seu direito a sáude negado, pois não possuem acesso a água potável para suprir suas necessidades.
Outrossim, vale salientar o agronegócio como propulsor da escassez hídrica e um obstáculo para a qualidade de vida dos brasileiros, pois o uso de pesticidas durante o plantio contamina rios e lagos. Segundo dados da Agência Nacional de Águas, a agricultura consome 72% da água total utilizada no Brasil, ou seja, mais da metade da água consumida no país pode se tornar imprópria para o uso. Nesse contexto, além da água contaminada pôr em risco a saúde da população, a água potável se torna mais escassa e, consequentemente, seu valor aumenta. Dessa forma, enquanto o Estado se mantiver omisso sobre os problemas do agronegócio, a qualidade de vida dos brasileiros estará ameaçada.
Dessarte, é mister que o governo tome providências para mitigar os impactos da falta de água no Brasil. Para tornar a distribuição dos recursos hídricos mais igualitária, urge que o Ministério da Infraestrutura crie, por meio de uma parceria com o Ministério do Meio Ambiente, um projeto de ampliação do alcance dos rios. Em síntese, o Estado deve propor a realização de obras de transposição de rios, além de continuar o projeto do rio São Francisco. Ademais, cabe ao Poder Legislativo propor uma lei que restrinja o uso de agrotóxicos, diminuindo o número de pesticidas permitidos. Feito isso, será possível utilizar a água de modo sustentável, assim como os mesopotâmicos.