Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 06/08/2020
Desde a Grécia Antiga o pensamento acerca da importância da água já gerava muitos debates. De acordo com o filósofo da época, Tales de Mileto, tudo é água, ela seria o princípio e a base para a vida. No entanto, atualmente, essa consciência não está tão desenvolvida na população mundial, visto que os índices de escassez hídrica tem atingido patamares alarmantes e o consumo de água tem sido de forma exponencial, provocando secas e conflitos em todas as partes do mundo.
É relevante abordar que a partir do início da Revolução Industrial no século XVIII a utilização da água alcançou diversos patamares devido ao aumento do consumo. Água para higienizar, água para fabricar, água para irrigar e assim ela vai sendo consumida sem planejamento e sem consciência. Conforme os relatórios do centro de pesquisa World Resources Institute (WRI), mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo já estão em situação de escassez hídrica. Tal realidade tem tido como resultado vários conflitos regionais e a busca pela sobrevivência, uma vez que a água é necessária para a manutenção da saúde de todo o ser humano.
Paralelo a isso, a problemática apresentada está inteiramente ligada com a questão social e mais ainda no âmbito da higiene. Durante a Idade Média, as práticas de limpeza não eram tão frequentes como hoje em dia. Casas eram rodeadas de sujeira e restos de alimentos, haviam esgotos a céu aberto e uma enorme proliferação de ratos. Sendo assim, tal situação ocasionou uma das maiores pandemias que a história já pôde presenciar: a Peste Bubônica, uma doença causada por bactérias que viviam em pulgas de ratos que estavam por todo o canto da Europa naquela época. Mais de um quarto de toda a população mundial foi dizimada. A pandemia só começou a ser controlada quando hábitos de higiene — como lavar as mãos com água— foram adaptados. Nesse sentido, é evidente que a ausência de água coloca em risco a saúde pública e algo precisa ser feito já que a falta dela é realidade cotidiana para milhões de pessoas no século XXI.
Evidencia-se portanto, que o mundo precisa aprender com seu passado, compreender a importância e também a limitação da água. Dessa forma, cabe aos diversos países do mundo juntamente com a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de verbas governamentais, estabelecer novas atitudes de aproveitamento da água para evitar desperdícios e proporcionar o transporte dela até cidades e regiões que não conseguem acessá-la, visando possibilitar o acesso a qualidade de vida e saúde. Nesse contexto, a população deverá repensar o seu consumo em excesso para que o mundo tenha uma sociedade mais consciente, pensando não somente no futuro da humanidade, mas sim em um futuro com a presença da água, pois como dizia Tales de Mileto, ela é o princípio da vida.