Impactos ambientais do consumo no século XXI
Enviada em 04/12/2020
Disseminado na Inglaterra ainda no século XVII, o iluminismo apregoava o desenvolvimento da ciência racionalista como forma de progresso de uma nação. Contudo, hodiernamente, os impactos ambientais acometidos em nome do consumo exacerbado tem impedido que a população brasileira alcance tal progresso, visto que, desastres assim tornaram-se cada vez mais comuns a realidade do país. Nesse sentido, pode-se analisar que tal problemática decorre da ausência de senso crítico por parte dos indivíduos bem como da negligência governamental, sendo necessário combatê-las.
A princípio, na alegoria da caverna, Platão destaca que as ilusões aprisionam os homens na ignorância. Mormente, compreende-se que o consumismo acentuado tem sido a “caverna” da atualidade. Em busca do prazer desmedido proporcionado pela compra, diariamente milhares de pessoas são tentadas pela lógica do capitalismo e da obsolescência programada a trocarem seus aparelhos tecnológicos sem necessidade, esquecendo-se dos impactos que isso causa ao meio ambiente e até a sua própria saúde, permanecendo na ilusão apontada pelo filósofo grego. De acordo com um artigo publicado pela USP, o lixo eletrônico pode causar câncer e diversas outras doenças, deve-se isso á predominância dos metais pesados.
Além disso, sob a perspectiva de Norberto Bobbio, em sua obra “O Futuro da Democracia”, o filósofo pós-moderno atesta a existência da “Democracia Ideal” – a do plano constituinte – e a “Democracia Real” – a das promessas não cumpridas e a que ocorre na prática. Com isso, percebe-se a omissão do Estado frente ao desmatamento que ocorre no Brasil para promover o agronegócio. Em nome do consumismo, a pecuária, segundo uma pesquisa divulgada pela BBC, é responsável por 80% do desmatamento na Amazônia e até então, não houve culpados. Fatos assim impedem o pleno exercício democrático – o qual garante, por meio da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, o dever de se preservar – concretizando, de fato, a democracia caracterizada por Bobbio.
Sendo assim, diante dos fatos supracitados, faz-se mister a adoção de políticas públicas que solucionem o impasse. Logo, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, garantir que a continuidade do agronegócio não interfira na preservação ambiental. Isso deve ser feito por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar a proibição de queimadas em terras brasileiras e a punição para fazendeiros e empresários que as invadam, a fim de preservar florestas como a Amazônia, patrimônio brasileiro. Além disso, é de suma importância que o Ministério da Educação invista em propagandas que tenham por objetivo conscientizar os brasileiros acerca do consumismo desmedido, para que haja uma redução do lixo eletrônico. Espera-se, com isso, diminuir bruscamente os impactos ambientais do consumo existentes no século XXI.