Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 19/12/2021
Na série “Anne with an E”, o coadjuvante Colin, após reconhecer-se homossexual, teme declarar a sua orientação para os seus familiares extremamanete conservadores. Desse modo, o personagem visualiza como única solução fugir de casa, a fim de não sofrer mais repressão. De maneira análoga à obra cinematográfica, a persistência da homofobia,na contemporaneidade, acaba por interferir no convívio social,sendo tal alarmante realidade possibilitada não só pela perpetuação desse preconceito nos domicílios, mas também pela negligência estatal em assegurar os direitos legislativos.
Em primeira análise, é indubitável que a reverberação de comentários intolerantes pelos responsáveis de jovens e crianças permite que haja a perpetuação dessa triste problemática. Essa atitude vai ao encontro do pensamento de Albert Bandura, psicólogo canadense, ao afirmar, por meio da “teoria da aprendizagem social”,que as crianças tendem a reproduzir certos comportamentos, devido à exposição e à convivência com essas ações.Nessa perspectiva, seguindo o pensamento do estudioso, caso o público infanto-juvenil esteja envolto em meio a um ambiente que a homossexualidade é asseguarda como algo perjorativo, muito comumente, eles tenderão a reproduzir tal preconceito, tendo em vista que durante o período de desenvolvimento psicológico aprendem por meio da mimetização. Isso, por sua vez, mostra-se preocupante, pois a continuidade de ações discriminatórias permite que o grupo LGBTQIA + sinta-se desamparado, permitindo casos de repressão, como vivenciado por Colin.
Em segunda análise, cabe destacar a incúria governamental como um dos percussores dessa alarmante conjuntura. Sob esse viés, é imprescindível considerar que para Gilberto Dimenstein, embora as leis sejam garantidas na teoria, na prática elas não correm já que são subtraídas pelo Estado.Em consonância com o pensamento do jornalista, mesmo que a legislação brasileira declare homofobia como um crime, desde de 2019, percebe-se que tal pauta legislativa não está sendo consolidada, porquanto mais de duzentas mortes de gays, lésbicas, transsexuaise e bissexuais morreram de forma violenta em 2020, no Brasil. Assim,é notório que os direitos garantidos pela lei, não estão reverberados para esse grupo, possibilitando discriminação e representando uma ameaça à democracia.
Destarte,medidas são necessárias para resolução do impasse.Para isso, cabe às escolas promoverem diálogos com os estudantes sobre a importância do respeito à pluralidade de orientações sexuais, por meio de rodas de conversas(podendo contar com o depoimento de pessoas vítimas de homofobia), a fim de que crianças e jovens, que possivelmente convivem com a intolerância em suas residências, possam reverter tais atitudes. Como efeito social, haverá cidadãos que prezam pela diversidade, permitindo que casos de intolerância, como vivenciado por Colin,permaneçam apenas na ficção.