Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 04/09/2021
Na Alemanha nazista de Hitler, os homossexuais eram perseguidos e levados para os campos de concentração, onde banhavam-se com desinfetantes e recebiam a marcação de triângulos cor de rosa no uniforme, como uma forma de identificação, estando sujeitos à tortura, castigos e abusos corporais. Nesse sentido, embora passados mais de 70 anos da queda desse regime totalitário, ainda é deploravelmente perceptível, no Brasil, a existência da homofobia perpetrados contra essa parcela do corpo social. Dessa forma, esse cenário nefasto ocorre não só em razão do preconceito social, mas também devido a insuficiência governamental.Assim,torna-se fundamentalo debate acerca da questão. Em primeiro plano, a problemática é impulsionada por fatores sociais. Sob esse viés, Zygmunt Bauman disserta, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo constitui o maior conflito da pós-modernidade e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Nessa perspectiva, nota-se que a coletividade, calcada na ética excludente, repudia grupos não convencionais, e impossibilita a necessidade fecunda da inclusão social dos homossexuais, o que fomenta a discriminação contra esses indivíduos e por consequência a violação da sua dignidade.Logo, faz-se mister a reformulação dessa inaceitável e perversa postura da sociedade, de forma urgente. Outrossim, o descaso governamental catalisa a homofobia em grandes proporções no país. Nessa lógica, isso se torna evidente à medida que o estado brasileiro não elabora políticas públicas eficazes e contínuas atinentes à aceitação das escolhas sexuais e do respeito a elas, dessa forma, torna-se rotineiro a comunidade gay, xingamentos, agressões, assédio sexual e assassinato, demonstrando o quão desprezado é a equidade de gênero no Brasil. Diante disso, vê-se que a garantia a uma vida digna, livre e igualitária, expressa na Constituição Federal de 1988 como objetivos da Nação brasileira e negligenciada. Dessarte, enquanto não houver a superação de tais disparidades, a homofobia será uma mazela atemporal de uma segregação sociocultural.
Portanto, é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, o Ministério da Educação deve desenvolver palestras nas escolas, sobre a importância do respeito e normalização das escolhas sexuais, por meio de entrevistas com vítimas de homofobia e psicólogos especialistas no assunto. Ademais, podem ser ofertadas dinâmicas e dramatizações sobre como a opressão e estereotipização são nocivas a tais indivíduos, a fim de trazer ao povo brasileiro mais lucidez e tolerância sobre as pluralidades, promovendo a integração plena desses cidadãos. Paralelamente, cabe ao poder público ratificar leis que criminalizem a homofobia, para diminuir a alarmante hostilidade vivida pelos homosse-xuais. Por conseguinte, a teoria de Bauman, vigente na atualidade, será atenuada, paulatinamente.