Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 23/08/2021

Durante a expansão portuguesa, a religião era um dos pilares da colonização brasileira e considerava o homossexualismo um pecado. Passados vários séculos, percebe-se que, embora o Brasil tenha se tornado um Estado laico, a homofobia ainda se faz presente no país. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que essa questão tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.

Diante desse cenário deletério, cabe salientar a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Cidadania se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, seja pela carência de campanhas de conscientização acerca da necessidade de se respeitar o próximo independente de sua cor, gênero ou opção sexual, seja pelo pouco espaço destinado à representação dos homossexuais na política. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e, com isso, perpetua a homofobia.

Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante os dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros normalizaram desde a época de colônia o preconceito e desrespeito com homossexuais, o que gerou frutos como o Brasil ser o país que mais mata pessoas com diferentes opções sexuais no mundo, fato comprovado por relatórios do Grupo Gay da Bahia em parceria com a ONG Transgender Europe. Isso posto, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, a homofobia será banalizada e mais pessoas com escolhas sexuais não héteras serão mortas no país.

Dessarte, fica claro que a inoperância estatal aliada à ignorância social são a gênese desse revés. Assim, o Ministério da Cidadania deve fazer campanhas de conscientização sobre a necessidade de se respeitar o próximo independente de sua cor, gênero ou opção sexual e incentivar a entrada desse público na política, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia e, consequentemente, diminuir os casos de morte dos homossexuais no Brasil. Espera-se, com isso, que os hábitos arcaicos de colônia fiquem no passado.