Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 20/06/2021

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude de sair da sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à homofobia. Nesse contexto, percebe-se a configuração de contornos específicos em virtude da formação familiar e da lenta mudança na mentalidade social.

Nessa perspectiva, há a questão da formação familiar, que influi decisivamente na resolução do problema. De acordo com o sociólogo, Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática da homofobia apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, ao que o Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, já que o problema encontra-se dentro das casas  das famílias brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.

Além disso, cabe ressaltar que a lenta mudança na mentalidade social é um forte empecilho para a solução do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica é possível perceber que a questão desse preconceito desnecessário é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. É fundamental, portanto, a criação de projetos de lei que contemplem a questão da homofobia no cenário brasileiro, pelas Comissões da Câmara e do Senado, em parcerias com consultas públicas. Tais consultas devem ser amplamente divulgadas nas redes sociais para o público em geral ter acesso e se posicionar, para que o problema não só ganhe respaldo geral, como também o faça de maneira consciente por parte da população.