Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 29/06/2020
Na obra ‘‘Brasil: Uma Biografia’’, as historiadoras Lília Schawarch e Heloísa Starling apontam ao leitor as peculiaridades da sociedade brasileira. Dentre delas, destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania. Com efeito, tal conjuntura é análoga ao hodierno cenário brasileiro, visto que, apesar da Constituição Federal assegurar que todos são iguais perante a lei, uma parcela da sociedade - em especial os homossexuais - são constantemente segregados. Nesse contexto, deve-se analisar como o individualismo moderno e a negligência das escolas colaboram a questão.
Em primeiro plano, o exacerbado individualismo é o principal responsável pelo aumento da homofobia no Brasil. Isso acontece porque, com o advento da globalização no país, o indivíduo tende a ingressar na estrutura social brasileira, potencializando o progresso social. No entanto, uma parcela da sociedade não desenvolve, de fato, suas relações interpessoais. Sob essa perspectiva, os homossexuais são alvos de preconceitos e vistos erroneamente como incapazes. Isso é frequentemente manifestado na forma de ‘‘Violência Simbólica’’, termo do sociólogo Pierre Bourdieu, que exclui moralmente tal grupo social, exemplificando a colocação desse grupo em postos de trabalho menos valorizados e menos renumerados. Por conseguinte, os homossexuais não atingem a plena vivência da cidadania.
Outrossim, a negligência das escolas - no que diz respeito à diversidade do povo brasileiro - influencia na problemática. Isso porque as instituições de ensino no Brasil apresentam somente conteúdos que posteriormente serão cobrados em provas. Sob tal ótica, conforme o sociólogo Emilie Durkmain, a escola é uma das instâncias de socialização. Logo, é vital apresentar não só conteúdos, mas também noções de cidadania e senso crítico. Sob esse viés, por exemplo, os jovens estão ingressando na estrutura social brasileira sem a devida educação. Em virtude disso, o indivíduo torna-se vulnerável diante do preconceito social e, consequentemente, torna-se mais propenso a praticar atos discriminatórios.
Infere-se, portanto, a necessidade de criar medidas para a solidificação de um mundo melhor. Em razão disso, urge ao Ministério da Cidadania divulgar, por meio dos canais de comunicações, campanhas que divulguem os direitos da comunidade lgbtq+ no país, com a finalidade de incentivar a diversidade brasileira. Ademais, com o intuito de combater o preconceito vigente no país, o Ministério da Educação deve, por meio das disciplinas de Filosofia e Sociologia, debater temas de intolerância como a homofobia. Tal abordagem deverá ser feita de forma lúdica e adaptada a cada faixa etária, Desse modo, o Brasil poderá garantir a isonomia a todos os cidadãos brasileiros.