Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 15/10/2019
“Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, cegos que não veem, cegos que vendo não veem”. O excerto do romance modernista “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago, critica, por meio do uso de metáforas, a alienação de uma sociedade que se torna invisual. Fora do universo literário, tal obra atemporal não foge da cegueira contemporânea, na qual a população brasileira não enxerga o problema da homofobia no Brasil. Nesse aspecto, dois fatores são relevantes: a inobservância governamental e a questão cultural.
Em primeira instância, convém frisar que o descaso estatal promove subterfúgio ao quadro vigente. Nesse ínterim, o filósofo iluminista Rosseau, no contexto da Revolução Francesa, afirmou o papel do Estado em garantir igualdade jurídica a todos. Contudo, a prática deturpa a teoria, embora seja promulgada no Artigo 5° da Constituição Federal de 1988 a igualdade de todos os cidadãos sem a distinção de sexo, natureza, ideologia ou qualquer natureza, na prática isso não ocorre. Em virtude da negligência governamental em proibirem os homossexuais doarem sangue. Dessa maneira, é inadmissível que, com as altas taxas de impostos e tributos cobrados no país, o poder público em vez de mitigar o problema da homofobia, termine potencializando-o.
Em segunda instância, não obstante, vale ressaltar que a herança histórica-cultural corrobora para a persistência da problemática. Historicamente, desvios comportamentais sempre foram malvistos na sociedade, por exemplo, na Idade Média pessoas que tinham relações afetivas com o mesmo sexo eram mortas na fogueira simbólica da Santa Inquisição. Ademais, segundo o site G1, o Brasil não foge dessa realidade, visto que é o país que mais assassinam homossexuais no mundo, além do equívoco preconceituoso de associarem “gays com aberrações”. Em consoante a isso, faz-se necessária analogia com o quadro “O Abapuru”, da modernista Tarsila do Amaral, em que para a autora a representação da cabeça pequena representa a falta de criticidade do homem. Desse modo, baseados em pensamento errôneos, é inaceitável que a malha social fique passível de soluções e cada vez mais se tornem parte dessa obra.
Infere-se, portanto, que a homofobia é um desafio a ser enfrentado na nação verde amarela. Para tanto, cabem as escolas, em parceria com a mídia, criarem uma campanha de conscientização na televisão, em formato de fábula, com o fito de conscientizarem as pessoas sobre a importância de combater o preconceito homofóbico, para toda população assistir e quebrar tal estigma arcaico sobre os homossexuais. Além disso, é mister o Ministério da Saúde incluir o público LGBT na doação de sangue. Dessa forma, a cegueira dita por Saramago será combatida.