Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 05/08/2018
É incontrovertível que, conforme exposto no filme “A Origem” e proferido pelo protagonista Leonardo Dicaprio, a ideia é o vírus mais perigoso que existe. Nesse contexto, manutenções ideológicas oriundas de processos históricos, somados a ações e omissões sociais no tangente aos direitos humanos da população de lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e travestis - LGBT, favorecem cenários violentos e discriminatórios no Brasil.
Historicamente, a sociedade brasileira é fundada na cultura do patriarcado e, portanto, na heteronormatividade - em que outras orientações sexuais diferentes da heterossexual são marginalizadas, perseguidas ou ignoradas - tal fato acarreta em um viés normatizador da ideia de que a violência contra os grupos LGBT é normal. Corroborando com a Teorida da Banalidade do Mal da filósofa Hanna Arendt (atos violentos por estarem tão concretizados na sociedade acabam se tornando natural). Para esse problema, infelizmente nem mesmo a nossa Constituição tem sido eficaz, ainda que tenha como fundamento a dignidade da pessoa humana.
Concomitante a isso, uma parte da política brasileira dentro do Congresso Nacional não tem colaborado com o avanço das conquistas do movimento LGBT, por excluir da educação o poder de combater a homofobia - impedindo a aprovação de leis nesse sentido. E essa postura é divergente da visão do educador, de reconhecimento internacional, Paulo Freire, uma vez que segundo ele, para haver maior humanização, democracia e viabilização do amor é indispensável o papel da educação, pois sem ela a sociedade dificilmente mudará.
Em vista do exposto, cabe ao Ministério da Educação, com o apoio de militantes da causa e pesquisadores de universidades brasileiras, reformular as Diretrizes da Educação Básica e incluir o combate à violência contra esse grupo em questão nos objetivos do ensino público e privado, para todas as séries e EJA (Educação para Jovens e Adultos). Para maior eficiência dessa obrigatoriedade, deve haver capacitação dos diretores, coordenadores e professores, por meio de ciclos de palestras e cursos com os principais representantes dessa luta em cada estado. Além disso é fundamental que o Poder Legislativo Brasileiro institua penas mais severas aos casos denunciados de agressões, desconstruindo assim a ideia de impunidade hoje alastrada. Só assim, o vírus da ideologia heteronormativa poderá ser removido na prática.