Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 14/08/2018
A nova estrela pop brasileira, Pablo Vittar, com o clipe musical “tudo vai ficar bem”, retratou de forma realista, a homofobia enfrentada pelos homossexuais no Brasil. Ao longo de sua carreira tem-se assumido como homossexual e defensora da causa LGBTs, possuindo, inclusive, grande influência na música juvenil brasileira. Com base nisso, mesmo com o maior reconhecimento social de figuras públicas semelhantes a ela, o país possui ainda forte presença de conservadores na política que impendem o avanço da cidadania gay.
De fato, no setor político brasileiro há forte presença de tabu sobre a homossexualidade. Isso porque, o país ainda apresenta uma democracia jovem e, por isso, concepções morais individuais ainda são mais relevantes do que o bem-comum. Por esse prisma, não é atípico a criação de leis baseadas em dogmas morais e sem base científica, como por exemplo, a tramitação no Congresso da PEC “cura gay”. A proposta, nesse sentido, considerava a homoafetividade passível de tratamento médico, demonstrando intolerância e preconceito por parte das entidades políticas. Assim, projetos como esse apenas ratifica a falta de representatividade política e a dificuldade de garantia da cidadania LGBTs.
Ademais, o Estado não deixa explícito os direitos civis e protetivos sob essa população. Entre outros fatores, não há prerrogativas federais que possibilite – ou não – a adoção ou o casamento entre casais homoafetivos, e leis que punam e definam a homofobia. Em outras palavras, não há garantia de manutenção de sua cidadania, uma vez que não há ações afirmativas e leis constitucionais que garantam a equidade civil e social dessa população. Concomitante a isso, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), somente em 2017, houve um aumento de 30% de mortes entre a população LGBTs. Dessa maneira, enquanto o Planalto vira as costas para tal minoria social, maior o aumento dos casos de homofobia pelo Brasil.
Portanto, concepções morais conservadoras sobre a homossexualidade dificultam o avanço da democracia brasileira. Para reverter isso, é necessário que o Ministério da Educação – em parceria com a TV e o facebook– realize a criação de projetos educacionais, incentivando o engajamento do jovem no respeito à homoafetividade. Nesse sentido, é possível a distribuição de cartilhas que ilustrem de forma educativa a existência da homossexualidade e a criação de publicidade apresentando o gay como um cidadão qualquer, que também precisa ter seus direitos e deveres respeitados pelo o Estado. Por meio disso, seria possível desenvolver a empatia da população – principalmente jovem - e, a longo prazo, a inserção – de fato – desse grupo na política. Somente assim é possível quebrar dogmas antigos e incentivar que mais indivíduos como Pablo Vittar tenham o seu espaço respeitado.