Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 03/07/2018
No livro “Ensaio sobre a Cegueira”, do autor português José Saramago, há uma metáfora sobre a cegueira moral – falta de empatia –, e o distanciamento dos indivíduos na modernidade. Esse panorama auxilia na análise da questão da homofobia no Brasil, visto que os indivíduos, sobretudo os mais conservadores, incompreendem a escolha sexual dos homoafetivos. Nessa conjuntura, o preconceito suscita a intolerância e a não aceitação desse grupo.
Convém ressaltar, a princípio, que a homofobia tem raízes na cultura da sociedade brasileira, já que tradicionalmente, esta é pautada na estrutura heteronormativa, a qual repudia qualquer outra forma de relação. Assim, o preconceito, atrelado ao machismo e a pouca informação a respeito do assunto, torna ainda mais árduo a vida dos homoafetivos, que sofrem, muitas vezes, com violência física e moral. Essa situação, remete à “Alegoria da Caverna de Platão”, já que os indivíduos, sobretudo os homofóbicos, não abdicam das “cavernas” do prejulgamento e da intolerância. Logo, eles não enxergam o mundo fora do covil, ou seja, não atingem o conhecimento para encarar a situação com naturalidade, ou seja, entender que a escolha de parceiros de mesmo sexo não é sinônimo de imoralidade. Desse modo, atingindo-se sabedoria, haverá mais tolerância e respeit aos homossexuais.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a ideia do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre que o homem está condenado a ser livre, com isso, torna-se refém de suas próprias escolhas. Nessa conjuntura, o homossexual brasileiro, encontra-se indeciso para assumir sua orientação sexual, visto que teme desaprovação e exclusão social. Haja vista, o filme brasileiro “As Melhores Coisas do Mundo”, que retrata um progenitor com dois filhos adolescentes, o qual enfrenta dificuldades em declarar sua sexualidade. Quando ele se afirma gay, os jovens sentem repudio diante ao impasse, assim, estes evitam o convívio com o pai. Torna-se evidente que embora a homofobia se caracterize por agressão física e moral, ela se faz presente também quando há restrição e não aceitação do grupo LGBT.
Portanto, há fatores que favorecem o atual cenário brasileiro perante à homofobia. Desse modo, cabe às instituições de ensino o papel de deliberar acerca do assunto, em palestras elucidativas por meio de exemplos de dados estatísticos e depoimentos de pessoas envolvidas com assuntos ligados à LGBT, para que a sociedade civil, sobretudo os pais, abdiquem de preconceitos e aceitem essa população. É imprescindível, também, que a mídia, através de narrativas ficcionais engajadas, represente a vida árdua de um homossexual e como ele superou os prejulgamentos. Assim, essa proposta mostrará as injustiças contra os homoafetivos e como a sociedade pode ajudar a reverter essa situação. Com essas medidas, espera-se a retomada da “visão” dos indivíduos.