Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 22/06/2018

Em “Eu sou neguinha”, Caetano Veloso descreve a incerteza do eu lírico quanto a sua identidade, caracterizando-o como “um enigma, uma interrogação”. Situação comumente vivida por pessoas LGBT, esse conflito interno configura apenas uma dentre várias adversidades enfrentadas por esse grupo. Nesse cenário, é preciso refletir acerca das causas da homofobia. É fato: a educação é grande influenciadora do preconceito sexual no Brasil. Fruto de uma formação conservadora que muito reprime e pouco questiona, o indivíduo é ensinado, desde a tenra idade, a adotar uma postura hostil quanto aquilo que é diferente. Essa postura é, ainda, incentivada nas escolas, uma vez que a permissividade quanto a atitudes homofóbicas – como piadas depreciativas, por exemplo – faz do ambiente que deveria ser acolhedor, um local de conivência e incentivo ao preconceito, perpetuando, assim, esse grave problema. Afinal, como disse Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Somado a essa questão, a ausência de uma legislação específica que ampare os LGBT também contribui para a prevalência da homofobia. Apesar de relativos avanços, como o direito à adoção por casais homossexuais, o Código Penal ainda não classifica o preconceito sexual como crime de ódio – como ocorre com o racismo – mas apenas como injúria. Essa brandura legislativa dificulta o combate a tal atitude, o que pode ser comprovado ao analisar que o Brasil é o país líder no raking de assassinatos de travestis e transexuais.

Percebe-se, portanto, que a homofobia é imperante em esfera nacional. Para combatê-la, é preciso que as instituições escola e família atuem em conjunto, a fim de formar indivíduos mais tolerantes quanto às diferentes orientações sexuais. Isso deve ser feito por meio de palestras, seminários e rodas de conversa. É de suma importância, também, que o Legislativo torne a homofobia crime de ódio, adotando, dessa forma, uma postura mais rigorosa com o preconceito responsável pela morte de tantas pessoas. Assim, a população LGBT brasileira certamente estará melhor protegida.