Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 08/06/2018

O pecado atual

“A serpente venceu afinal!”, exclama Aluísio de Azevedo ao referir-se às práticas homossexuais como um pecado em seu livro “O Cortiço”, importante obra do Naturalismo no Brasil. Assim como grande parte da sociedade no século XIX, Azevedo via a homossexualidade como uma patologia a ser examinada. No entanto, esse pensamento, apesar de arcaico, parece atemporal, visto que hodiernamente, grande parte do povo brasileiro compartilha da mesma crença, perpetuando, dessa forma, facetas que precisam ser extintas.

Nesse contexto, a obra cinematográfica “O jogo da imitação” conta a história real de Alan Turing, o pai da computação, condenado a tratamento hormonal e castração química por ser homossexual. Contudo, apesar de o fato ter ocorrido na Inglaterra, a visão da homossexualidade como um transtorno de orientação sexual não fica restrita a essa parte do globo, manifestando-se no Brasil por meio do projeto “Cura gay”, discutido na Câmara dos Deputados até o ano de 2017, com o objetivo de recorrer a auxílio médico e psicológico para tratar a homoafetividade. Dessa forma, é notável que o conceito de homossexualismo, a homossexualidade como uma doença, continua presente na ideologia contemporâneo e precisa ser eliminado, visto que é uma das grandes causas da homofobia.

Em segunda instância, é possível notar que o pensamento homofóbico no Brasil apresenta raízes profundas. Nesse viés, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele, desse modo, a falta de instrução da criança em idade escolar quanto à diversidade de orientações sexuais e o constante culto à heterossexualidade fazem com que o indivíduo cresça com o conceito de anormalidade associado às relações homoafetivas, o que, por consequência, aumenta a dificuldade de aceitação do indivíduo que faz parte desse grupo.

Mediante o exposto, faz-se necessária a adoção de medidas que solucionem o problema vigente. Destarte, cabe a mídia, por caracterizar-se como instrumento formador de opinião, criar e divulgar campanhas que incitem o respeito à diversidade de gêneros, além de representar em novelas e seriados a diversidade sexual existente. Outrossim, por serem instituições formadoras de caráter, é conveniente que as escolas tenham em seu planejamento anual da matéria de sociologia a temática da homossexualidade, a fim de discutir e acabar com as convenções e estereótipos negativos relacionados à orientação sexual, de modo a difundir uma cultura não homofóbica entre aqueles que são o futuro do país. Quem sabe assim o pensamento naturalista permaneça no século XIX e o único pecado seja o desrespeito com o outro.