Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 16/11/2021

De acordo com a filósofa judia do século XX, Hannah Arendt, o pior tipo de mal é aquele que se torna corriqueiro e, consequentemente, passa a fazer parte do cotidiano. Certamente, essa compreensão é ponto-chave no debate acerca da gravidez na adolescência em evidência no Brasil, visto que a distorsão do papel educacional de veículos midiáticos têm impactado, diretamente, no agravamento dessa problemática.

Primeiramente, é importante perceber o poder informativo e instrucional exercido pela mídia nas sociedades, podendo, inclusive, influenciar o comportamento de cidadãos, como ocorreu na Segunda Guerra Mundial, no século XX, quando Hittler e seu ministro, Goebbels, utilizaram a propaganda como artifício para manipular a população alemã, causando a morte de milhares de judeus. Desse modo, é fácil entender como a mídia têm influenciado o comportamento de adolescentes e jovens brasileiros, já que inúmeros filmes, séries, livros e outros veículos midiáticos têm abordado o sexo inseguro entre indíviduos cada vez mais jovens. Aliás, a série espanhola “Elite”, uma das mais assistidas da plataforma online “Netflix”, conta a história de vários adolescentes que, de forma frequente, são mostrados praticando sexo sem proteção, usando drogas ilícitas e até mesmo cometendo crimes mais graves, como latrocínio e assassinato.

Logo, os impactos da deturpação do papel das mídias - que poderiam estar sendo usadas como fontes de informação segura e responsável - são percebidos com o aumento na incidência da gravidez na adolescência. Aliás, essa progressão de casos têm consequências devastadoras, visto que, não raramente, essas adolescentes lidam com problemas de saúde desencadeados no parto e no pós-parto, além de terem maiores chances de evadir da escola, tornando-se socialmente vulneráveis.  Assim, ao não cumprir seu papel informativo, a mídia se torna uma instituição zumbi, definida pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman como aquela que mantém sua forma, mas não cumpre seu papel social. Nesse sentido, é imprescindível que hajam atitudes visando a resolução desses imbróglios.

Portanto, o Ministério da Saúde - responsável por planos e ações de promoção da saúde e prevenção de doenças no Brasil - com o intuito de diminuir as taxas de gravidez na adolescência, deverá realizar palestras educativas em escolas, por profissionais especialistas, tendo como público-alvo os adolescentes e jovens, por meio dos recursos advindos dos impostos pagos pela população. Além disso, deverão ser veiculadas campanhas publicitárias em rádios, televisões e redes sociais do órgão citado que instruam e informem a população brasileira acerca do sexo seguro e responsável. Só assim, a sociedade poderá trilhar caminhos para um futuro mais consciente, esclarecido e harmonioso.