Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 18/03/2020
O combate à gravidez na adolescência encontra, no Brasil, uma série de empecilhos. Essa constatação pode ser comprovada por meio de dados divulgados pela OMS, os quais demonstram que Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. Dessa forma, observa-se que a gravidez na adolescência reflete um cenário desafiador, seja em virtude da falta de empatia, seja pela base educacional.
Em primeiro plano, evidencia-se que a falta de empatia é um grande responsável pela complexidade do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange aos impactos da gravidez precoce, pois o individualismo faz com que o adolescente se sinta sozinho e desorientado, o que pode gerar evasão escolar, falta de perspectiva e até mesmo impactos negativos para o crescimento da criança. Portanto, essa liquidez que influi sobre a questão funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Em consequência disso, surge a questão da base educacional, que intensifica a gravidade do problema. Sendo assim, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se os adolescentes não têm acesso à informação séria sobre os impactos da gravidez precoce, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema.
Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e dos impactos da gravidez precoce. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade jovem. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que se dê a conscientização dos impactos que tal acontecimento pode acarretar.