Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 21/08/2019
Os filhos que viram pais
Dentro da sociedade brasileira, nos séculos XIX e XX, a concepção de precocidade na maternidade era vista como algo normal e até positivo para alguns grupos populacionais, já que o filho poderia representar mão-de-obra no campo naquele contexto. Todavia, contemporaneamente houve uma mudança de paradigma com relação a essa ideia, a qual passou a se tornar um problema de âmbito nacional. A partir dessa perspectiva, pode-se dizer que essa questão está relacionada com uma carência de discussão e educação tanto escolar, como familiar e pública desse assunto e de todo seu entorno em várias situações no país, por causa de entraves econômicos e culturais existentes.
Seguindo essa linha de pensamento, é importante ressaltar que a falta de diálogo e reflexão que ocorre em vários núcleos sociais do Brasil a respeito da gestação prematura contribui para o incremento desse panorama. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a gravidez na adolescência apresenta prevalência em famílias de baixa renda, áreas rurais, nas periferias e em pessoas de baixa escolaridade. Com isso,. essas informações permitem a inferência de que o problema relatado guarda íntima relação com lugares onde geralmente há uma baixa atuação das escolas, em conjunto com a alta evasão desse ambiente, além de muitas vezes acontecer a ausência parcial ou integral das famílias na educação dos jovens por causa de suas ocupações diárias ou devido a abandonos por não terem condições de criá-los. Esses fatores corroboram em um declínio no conhecimento, instrução e instrumentalização dos adolescentes sobre o universo desse tema, contribuindo para sua perpetuação.
Em segundo plano, é factível também a análise de como questões culturais também impactam o debate sobre a maternidade precoce. Por um lado, é perceptível que, em algumas famílias e meios de convívio tradicionais, o debate sobre o sexo e suas consequências seja um tabu, no qual se impõe uma barreira á sua discussão, dificultando uma formação mais crítica a respeito dessa temática. Porém, é igualmente verídico que existe uma banalização de apelos eróticos em muitas esferas sociais atualmente, o que faz com que haja uma negligência e uma menor reflexão sobre sua real importância.
Entende-se, portanto, que a gravidez na adolescência tem relações com deficiências socioeconômicas e educacionais no Brasil. Então, a fim de proporcionar uma melhor conscientização e prevenção acerca desse fenômeno, as prefeituras municipais, em conjunto com as secretárias de saúde e assistência social, devem disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da gestação precoce, por meio de mutirões, oficinas de formação, e palestras com especialistas, para que se minimize as chances de filhos se tornarem pais antes do tempo correto.