Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 19/08/2019
No século XX era comum que garotas menores de idade se casassem e engravidassem precocemente, devido aos valores e costumes da época. Todavia, a sociedade passou a adequar novos padrões de vida, e a mulher passou a ter mais voz nas suas escolhas, principalmente no que diz respeito a engravidar. Um fato que marca essa transição é criação da Pílula Anticoncepcional em 1960, que possibilitou maior autonomia e controle para evitar a gravidez. Entretanto, a gravidez na adolescência ainda é um problema de saúde pública no Brasil, tornando necessário debater suas causas e consequências.
Segundo o Ministério da Saúde, embora o número de casos de gravidez na adolescência tenha caído nos últimos anos, os números ainda preocupam e os casos acontecem principalmente com meninas de baixa renda, de áreas mais carentes e com baixa escolaridade. Esse cenário exemplifica como os impactos da desigualdade social podem acarretar questões de saúde pública. Embora se tenha tantos métodos contraceptivos e muitos ofertados nas UBS por meio do SUS, se não houver a conscientização sobre eles, nada adiantará ter o acesso. Ademais, o que acontece na realidade brasileira, principalmente nas áreas necessitadas, é a carência da educação sexual em casa e nas escolas, causando um certo receio do jovem a procurar informações, e ainda, a falta de comprometimento dos profissionais de saúde em ofertar informações a quem procura um método. Outrossim, com a negligencia na prevenção assume-se consequências graves. Jovens até 19 anos estão em processo de amadurecimento e moldagem do seu caráter, ao se deparar com essa situação, muitas vezes têm que tomar decisões negativas para seu futuro, com psicológicos, físicos e financeiros. Além disso, vale ressaltar que esses impactos atingem muito mais as garotas do que os garotos, visto que a culpa e a responsabilidade decaem sobre ela, e muitas vezes ocorre o abandono paterno, que no Brasil já ocorre mais de 5,5 milhões de casos de registros sem a paternidade, segundo o CNJ. Esse cenário não só tem impactos sociais, como educacionais e de saúde.
Com isso, segundo a defesa de Paulo Freire de que a educação é transformadora e que só ela pode mudar a sociedade. É necessário, portanto, que o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação façam juntos um trabalho de conscientização de educação sexual, por meio de campanhas em escolas públicas, e em UBS de comunidades, podendo oferecer um suporte que seja de fácil entendimento e acesso, como cartilhas, palestras, ou um website dinâmico e interativo. Ademais, cabe também ao Ministério da Saúde a capacitação de profissionais de saúde, por meio de mini cursos gratuitos, para que estes sejam atentos e participativos nas campanhas e nas consultas.