Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 14/08/2019
O filme “June”, produzido por Jason Reitman, retrata as consequências de uma gravidez precoce, na qual uma adolescente engravida de seu melhor amigo e desamparada pensa em abortar ou levá-lo para adoção. Fora das telas, hodiernamente, os jovens também enfrentam a falta de instrução em casos como esse e, devido a isso, em muitos casos fazem escolhas que prejudicam ambas as vidas. Sob esse viés, é notório que ainda se faz presente a falta de educação sexual, a qual adjacente a uma gravidez inesperada causa óbices à mãe e ao filho, fator esse, em evidência no Brasil, no século XXI. Em primeira análise, a temática sexual tornou-se ao longo dos anos um dos maiores “tabus”. De modo que distanciar-se-ia da Idade Média, em que gregos e romanos tratavam a sexualidade humana como algo natural. Todavia, essa mudança na perspectiva afeta diretamente na vida de jovens, à medida que a falta de diálogo sobre esse assunto resulta na transmissão de infecções sexualmente transmissíveis e até mesmo gravidez. Desse modo, uma adolescente gestante desinformada acaba optando por clínicas clandestinas de aborto, abandonam ou não seguem corretamente o pré-natal, logo, essas atitudes inconsequentes são maléficas a todos os envolvidos, principalmente a mãe, afetando fisicamente e psicologicamente.
Outrossim, a ausência de apoio e a vergonha social de uma gravidez precoce, ocasionam a omissão do ocorrido. Diante disso, análogo ao pensamento do sociólogo Howard Becker, na sua “Teoria da Rotulação”, a sociedade cria padrões e aqueles que fogem aos estereótipos são julgados desviantes e categorizados por atributos negativos e pejorativos. Nesse sentido, muitos adolescentes sentem medo da exclusão social ou desespero perante a situação, destarte, evitam procurar a ajuda necessária para tentar evitar uma possível humilhação. Com isso, observa-se que caso houvesse instrução ou comunicação os jovens teriam mais chances de evitar esse imprevisto ou saber o que fazer após o acontecimento.
Diante do exposto, é indubitável a existência de desinformação do grupo juvenil no que se refere aos assuntos sexuais, com ênfase à gravidez precoce. Portanto, caba aos Governos Estaduais com apoio do Ministério da Educação, realizar palestras nas praças públicas da cidade, por meio de profissionais capacitados para falar sobre sexo e suas consequências, a fim de que os jovens possam deter desses conhecimentos e saibam prevenir-se ou como agir em situações semelhantes às descritas. Ademais, cabe à mídia, com seu alto poder de persuasão, disseminar sobre educação sexual. Para que assim cada vez mais pessoas sejam informadas e a realidade não se assemelhe ao filme “June”.