Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 13/08/2019

No filme “Juno”, dirigido por Jason Reitman, é retratada a história de uma adolescente de 16 anos, que engravida após uma única relação sexual. Decidida a abortar, por se considerar incapaz de criar uma criança, enfrenta diversos desafios até mudar de ideia e optar pela adoção. É fato que a realidade brasileira não se encontra distante da ficção, uma vez que o número de adolescentes grávidas cresce a cada dia, favorecendo o crescimento da mortalidade e desafios econômicos.

Convém ressaltar, a princípio, que a gravidez entre os 10 e 19 anos é considerada de alto risco tanto para a mãe quanto para o bebê. A causa disso está relacionada, na maioria das vezes, a imaturidade do corpo da mãe, que não apresenta o útero completamente desenvolvido, propiciando quadros de má nutrição, abortos espontâneos e partos prematuros. Além disso, um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma que a mortalidade materna é uma das principais causas para a morte de adolescentes, evidenciando a gravidade do cenário.

Vale destacar, também, que as adolescentes nessa situação, de um modo geral, apresentam baixa escolaridade e condições socioeconômicas precárias. Tal conjuntura é ainda intensificada pelas complicações psicológicas que podem ser desenvolvidas, uma vez que essas mães sofrem com o medo de serem rejeitadas pela família e pelo pai da criança. Dessa forma, os desafios da maternidade se tornam enormes, favorecendo o abandono de crianças, que por traumas emocionais acabam se entregando a uma marginalização social.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe ao Estado em parceria com o Ministério da Saúde, promover efetivos projetos de combate a gravidez na adolescência, através de palestras com profissionais nas unidades de saúde, cartilhas educativas nas escolas, programas de educação sexual, a fim de que haja uma intensa conscientização dos riscos e o caminho para a prevenção seja, de fato, compreendido pelas adolescentes.