Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 31/10/2018

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura insuficîencia do Estado Brasileiro frente a conscientização da gravidez na adolescência é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento que mira o bem-estar de sua sociedade. Com isso, surge a problemática da alta taxa de gravidez entre os 13 e 17 anos que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela baixo grau de educação no ambiente familiar, seja pela lenta mudança de mentalidade social.

Cabe ressaltar que o ser humano é um ser social, o que traz a tona a questão da exclusão como um problema considerável. Nesse âmbito, um exemplo notório reside no ambiente familiar, no qual, em muitas famílias, com pais de baixa formação educacional é um dos fatores pra poucas informações frente os malefícios da maternidade na juventude, inquestionavelmente tornando as jovens moças suscetíveis a uma gravidez de risco, podendo ocasionar em ultima instância a morte no parto ou no pós-parto, levando a tona o questionamento da saúde mental desses pais. Conforme o pensador indiano Oshe, o medo da exclusão social é a principal causa para um indivíduo deixar de lado a sua própria identidade, o que pode gerar consequenciais como a depressão e o suicídio.

Além disso, outro fator importante reside no fato de que as pessoas estão vivendo tempos de “modernidade líquida”, conceito proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, o qual evidencia o imediatismo das relações sociais. Atualmente, pode-se notar que o fluxo de informações ocorre em grande velocidade, fenômeno que muitas vezes dificulta uma maior reflexão acerca dos dados recebidos, acostumando o ser a apenas utilizar o conhecimento prévio. O indivíduo, então, quando apresentado a outras pessoas que teve a função materna cedo, tem dificuldade em respeit-alas,associando como ser imaturo e irresponsável por dar a luz cedo, uma vez que sua formação pessoal baseou-se somente em uma esfera de vivência, o que pode comprometer o convívio social e o pensamento crítico e dificultando ainda mai o processo de integração na sociedade.

Diante disso, urge que o Poder Público intensifique campanhas de conscientização social, por meio de mídias de grande alcance. É imperativo, também, que o Ministério da Saúde amplie a distribuição de métodos contraceptivos, juntamente com o incentivo à criação de ONGs com o intuito de inserir essas  jovens novamente nas escolas evitado a vazão escolar gerada pela gravidez. Em consonância, cabe ao Ministério da Educação estimular as escolas a desenvolverem palestras,projetos e atividades lúdicas  que retratem os perigos da gravidez na adolescência.