Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2018
Gestação às escuras
Ao desvanecer do século das luzes, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada pela França Republicana, surge como base para as garantias sociais modernas, tal como o direito à saúde. É necessário aferir, entretanto, até que ponto essa ideologia iluminista se faz presente na realidade brasileira, tendo em vista que a gravidez prematura transmuta-se em uma rugosidade social, sobretudo, às populações mais pobres, seja por um sorrateiro estímulo, seja pela ineficiência do Estado.
Mormente, importa destacar que a maternidade precoce não é um problema exclusivamente atual. Desde a época do campesinato, a gravidez reflete, em boa parte das mulheres, uma virtual prospectiva de vida atrelada ao matrimônio. Aliado a esse estigma social, outros surgem como exponenciadores desse problema, por exemplo cabe salientar o número, cada vez menor, do uso de métodos contraceptivos por parte dos jovens. Prova disso, é o aumento gradativo de casos de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez indesejadas, haja vista que, segundo pesquisa de entidade federadas, cerca de 40% dessa parcela populacional fazem uso de preservativos.
Nesse sentido, em um contexto no qual a gestação de adolescentes se apresenta como uma crise socioeconômica, no Brasil, o não amparo do governo contribui para o agravo desse fenômeno. Dessa maneira, as consequências podem ser de uma “simples” evasão escola, ou até mesmo complicações que podem levar à morte da gestante. Isso porque as jovens mais afetadas por esse tipo de gravidez se encontram nas camadas menos abastadas socialmente, à mercê de um sistema falho de saúde, sendo essas mulheres atingidas duplamente; a primeira pela ingenuidade, a segunda pelo abandono. Se, para Aristóteles, a justiça é a base da sociedade, o mundo atual encontra-se distante de tal equidade, e faz desse desequilíbrio mais um agente dessa injustiça social.
Fica evidente, portanto, a existência de um cenário longe do considerado ideal à maternidade prematura, e,junto com ela, a necessidade em se tratar tal dificuldade. Dessarte, cabe às entidades como o Ministério da Saúde, promover campanhas publicitárias a respeito da importância do uso de preservativos e métodos contraceptivos, tendo o público jovem como principal alvo, afim de alertar sobre as mazelas e os efeitos de uma gravidez indesejada na puberdade. A expectativa pode ser alcançada mediante palestras e parcerias, junto as grandes empresas de comunicação, a exemplo do Facebook. Assim, espera-se que a dignidade pensada, no fulgor do iluminismo, possa, aos poucos, esclarecer a realidade dessas jovens, até então turva.