Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/10/2018

Segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos.  Nesse contexto, não há dúvidas de que a gravidez precoce se tornou um problema de saúde pública que persiste intrinsecamente na realidade do país, a qual permanece em evidência, infelizmente, não só pela falta de métodos contraceptivos, mas também pela insuficiência de informações transmitidas por algumas famílias para seus filhos.

Convém ressaltar, a princípio, que a carência do uso de anticoncepcionais é um fator determinante para a permanência da precariedade, uma vez que, devido à ausência desses métodos ou do uso incorreto, meninas estão se tornando mães cada vez mais cedo no Brasil, que, segundo a OMS, é o quarto país da América do Sul com o maior número de adolescentes grávidas. Tal fato é reflexo de ocorrências como a falta de educação sexual sobre o uso correto de contraceptivos, ou simplesmente do abandono do uso de preservativos por questões pessoais, como a objeção de parceiros ou por terem pensamentos imaturos de acharem que casos como esse nunca ocorrerá com eles. Em consequência disso, meninas entre dez e dezenove anos, acabam engravidando precocemente e desenvolvendo problemas de risco à saúde física e psicológica.

Além disso, o tabu veiculado em diversas famílias de que a instrução de prevenção sexual para adolescentes pode encorajá-los a se tornarem sexualmente ativos, ainda é muito frequente nas famílias brasileiras. Outrossim, a influência de religiões, como o cristianismo que prega a exaltação da pureza sexual, também colabora para os pais terem esse receio de conversarem com seus filhos. Porém, os adolescentes que não recebem informação sobre as consequências da gravidez precoce e do uso de preservativos de suas famílias, possuem maior possibilidade de terem um filho do que aqueles que recebem essas instruções em casa. Exemplo esse que afirma o pensamento do sociólogo Talcott, o qual diz que a família é uma máquina de personalidade humana.

Portanto, diante dos fatos supracitados, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com o da Educação, promover nas Escolas, através de palestras e debates em grupos, a educação sexual, abordando temas importantes como o uso correto dos métodos anticoncepcionais e das consequências que a gravidez na adolescência pode acarretar, objetivando a conscientização e amadurecimento dessa faixa etária sobre esse assunto. Ademais, é imprescindível que os mesmos Ministérios também apliquem palestras e reuniões com os pais dos alunos a respeito da importância de conversar com seus filhos sobre essa pauta, para que, dessa forma, haja uma conscientização geral e a gravidez precoce deixe de ficar em evidência no Brasil.