Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/10/2018

A ONU (Organização das Nações Unidas) estabeleceu a data 26 de setembro como o dia mundial da prevenção à gravidez na adolescência e lançou campanhas internacionais de educação sexual. Todavia, o combate proposto pelas Nações Unidas ainda está distante de ser eficaz no Brasil, na medida em que a gestação entre crianças e adolescentes ainda se mostra grave problema a ser desconstruído, sob pena de prejuízos a toda a sociedade.

É relevante abordar, primeiramente, que a gravidez na adolescência fragiliza a saúde do jovem. A esse respeito, a formação uterina só ocorre por completo por volta dos 21 anos, quando a parede uterina – cientificamente conhecida como endométrio – finaliza sua maturação. Logo, quanto menor for a idade da menina que engravida, maiores serão os riscos envolvidos seja para a saúde da mãe, seja para a do feto. Ocorre que a omissão da família, motivada pela vergonha ou religião, representa obstáculos para a correta educação sexual dos filhos. Desse modo, enquanto a falta de diálogo for a regra, a prevenção à gravidez será a exceção.

De outra parte, a gestação precoce evidencia a perpetuação da cultura de imprudência no Brasil. Nesse viés, o Movimento de Contracultura – estabelecido em meados do século XX – utilizava o sexo como estratégia de subversão social, herdada do Movimento Hippie norte-americano. Tal sexualização se perpetua de forma negativa e pode ser percebida no comportamento de meninos e meninas com cada vez menos idade e, se não for orientada, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas para crianças e adolescentes: A gestação precoce.

A iniciativa da ONU acerca do combate à gravidez na adolescência, portanto, deve ser a realidade no Brasil. Nesse sentido, o Ministério da Educação deveria desconstruir a cultura da imprudência sexual, por meio de aulas capazes de mostrar, com eficácia, os problemas advindos da gestação precoce, como abortos espontâneos e má formação fetal, para que meninos e meninas percebam os riscos a que estão expostos. Por sua vez, a família precisa viabilizar a educação sexual desde os primeiros anos da infância, por intermédio de diálogos sobre a sexualidade, realizados com frequência, a fim de que crianças e adolescentes deixem de ser suscetíveis à gravidez em momento errado.