Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 27/10/2018

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a gravidez é considerada na adolescência quando ocorre entre os 10 e 20 anos de idade. Mesmo com os avanços na área da saúde promovendo diversas alternativas de prevenção, há uma falha estatal fazendo com que essa condição se torne uma realidade crescente no Brasil. Para melhor compreensão do tema uma análise sobre a falha educacional e a desigualdade social se faz necessária.

A priori, uma observação sobre a falha educacional torna-se indispensável. As escolas, na maioria das vezes, são mais preocupadas com o ensinamento de matérias como geografia, matemática e português, negligenciando a formação dos alunos como cidadãos. Sob esse viés, a escola deixa o indivíduo limitado àquela temática, ignorando assuntos como, por exemplo, educação sexual, depressão, álcool e drogas. Como resultado da ausência de educação sexual, os jovens, principalmente mulheres, estão abdicando de seus estudos devido a gravidez indesejada ocorrida pela ausência de instrução. Dessa forma, a falha educacional é um fomentador da problemática, necessitando de uma intervenção governamental.

Outro fator a ser averiguado é a desigualdade social. Isto é, o Estado se ausenta da obrigação de promover igualdade a todos os componentes do corpo social, tendo como consequência a formação de pequenos grupos privilegiados na população. Essa minoria obtêm informações por meio do contato com escolas de qualidade, consultas regulares ao médico e ainda acompanhamento psicológico durante a fase da adolescência. Por outro lado, a maioria dos elementos não têm acesso a campanhas explicativas e métodos contraceptivos. Acerca dessa lógica, o número de adolescentes gravidas aumentam, à medida que a maioria não possui acesso ao conhecimento. Diante disso, a desigualdade social é importante componente para o agravamento do impasse no Brasil.

À luz do exposto, a gravidez na adolescência é uma consequência da falha estatal. Portanto, cabe ao Ministério da Educação tornar obrigatório nas escolas a educação sexual sendo essa dada por profissionais da saúde, explicando sobre o corpo e suas mudanças no processo de puberdade, por meio de palestras abertas a peguntas, para que as dúvidas sejam sanadas e a transição da infância para a vida adulta seja menos traumatizante. Além disso, o Governo Federal deve enviar verbas para que os municípios de todos os estados tenham creches públicas em período integral, com professoras e auxiliares, a fim de que as jovens que já são mães possam retomar seus estudos criando assim condições dignas para a criação de seu filho. Dessa forma, a diminuição das taxas de gravidez na adolescência deixará de ser utopia no Brasil.