Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 25/10/2018
No filme “Preciosa, Uma História de Esperança”, dirigido por Lee Daniels, a protagonista Claireece engravida de seu próprio pai aos dezesseis anos e, com isso, encontra dificuldades para viver em sociedade. Fora da ficção, o problema da gravidez precoce também é uma realidade no Brasil. Nesse contexto, é válido analisar como a falta de um projeto de educação sexual, e de um espaço confortável para as jovens, contribui para a problemática em questão.
A frágil educação sexual é o principal responsável pelo excesso de adolescentes grávidas no país. Falar sobre sexo abertamente é um tabu que existe na sociedade há muito tempo, sendo algo deixado de lado nas discussões escolares e familiares. Por conta disso, várias jovens são tomadas pelo imediatismo nas relações sexuais, sem prevenção ou conhecimento das consequências de uma gravidez precoce, como, por exemplo, risco de parto prematuro e possível desenvolvimento de transtornos psicológicos. Após darem a luz, o resultado é um só: muitas abandonam a escola -76%, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada-, para que tenham tempo de cuidar de suas crianças, e, portanto, passam a viver sob a perspectiva de um futuro incerto.
Além da fraca base educacional, a falta de um espaço próprio para as adolescentes também contribui para esse problema. Segundo o filósofo britânico Jeremy Bentham, todas as decisões sociais e políticas devem ser feitas com o objetivo de garantir a maior felicidade para as pessoas. Nesse sentido, o Estado brasileiro falha, pois não oferece à juventude feminina um espaço próprio para que elas tirem suas dúvidas quanto às relações sexuais, métodos contraceptivos e possíveis consequências de engravidar tão cedo. Por consequência dessa falta de acolhimento adequado, muitas chegam a desenvolver doenças sexualmente transmissíveis, como AIDS e sífilis, além de sofrerem repressão e exclusão social.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da gravidez na adolescência precisa ser revisada. O Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir na disciplina de biologia um estudo mais abrangente sobre as relações sexuais, mostrando métodos de se prevenir a gravidez precoce e as consequências que a mesma pode trazer para as jovens, visando diminuir esses casos. Paralelo à isso, o Ministério da Saúde, em parceria com o Governo Federal, deve oferecer às meninas uma estrutura semelhante aos postos de saúde, composta por profissionais na área da saúde, para que as mesmas, com descrição e acolhimento adequado, sanem aquilo que resta saber sobre relações sexuais. Dessa forma, teremos uma sociedade mais justa e acolhedora para com todas as adolescentes brasileiras.