Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 25/10/2018

Segundo Pablo Neruda, poeta chileno, o ser humano é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências, percebe-se a necessidade de selecionar alternativas certas em cada etapa da vida. Nesse sentido, a gravidez na adolescência, idade compreendida entre 10 e 20 anos, tornou-se um caso de saúde pública, uma vez que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), acarreta danos socioeconômicos à gestante e ao país. Desse modo, é valido analisar a falta de educação sexual nas escolas e a desigualdade social como fatores que atuam nessa problemática.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a carência da educação sexual representa um entrave para o desenvolvimento de uma sociedade mais consciente. Isso ocorre, visto que a carência de disciplinas direcionadas exclusivamente à sexualidade e à saúde reprodutiva deve-se ao fato dos colégios estarem mais interessados em cobrar matérias, como física, matemática e português do que discutir temas relevantes para o desenvolvimento social do indivíduo. Para ilustrar, um estudo feito pela Federação Internacional de Planejamento Familiar mostrou que o Brasil tem os piores índices de educação sexual na América Latina. Consequentemente, sem um debate adequado, os jovens não têm acesso a nenhum tipo de auxílio e informação sobre métodos contraceptivos e de proteção .

Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que a Constituição de 1988, assegura a todos os cidadãos a inviolabilidade à igualdade. Entretanto, esse ideal não acontece com total efetividade, dado que a população com menor poder aquisitivo não detém os mesmos direitos dos mais ricos. Tal circunstância advém devido à dificuldade do acesso a uma educação de qualidade pela parcela mais pobre da sociedade, fator que influencia na baixa perspectiva de entrada o mercado de trabalho formal. Para corroborar, cerca de 83% dos adolescentes que são mães precocemente não estudam nem trabalham, conforme o Levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílio, em 2013. Dessa forma, segundo Nelson Mandela, ‘‘A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo’’, nota-se que sem uma educação transformadora poucas mudanças sociais ocorreram no cenário brasileiro.

Nesse aspecto, Ao Ministério da Educação, cabe, mediante a elaboração de palestras públicas com profissionais da área da saúde, esclarecer sobre as consequências de uma gestação precoce, os métodos contraceptivos e fornecer gratuitamente aos indivíduos de baixa rende utensílios de prevenção a gravidez, como camisinhas. Além disso, deve inserir na grade curricular do ensino básico aulas de educação sexual, com o propósito de levar o conhecimento às gerações futuras para evitar a gravidez precoce. Por fim, é dever do Ministério da Planejamento, elaborar programas de inclusão social na educação, para ampliar as oportunidades sociais, a fim de reduzir gestações antecipadas.