Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/10/2018
Na escola literária árcade o lema “Carpe Diem”, cujo significado refere-se a viver intensamente, era uma das expressões que norteavam a vida dos poetas. De maneira análoga, observa-se que, no Brasil contemporâneo, infelizmente, muitos jovens estão seguindo essa máxima, sem mensurar as consequências, e causando uma grave problema: a alta taxa de casos de gravidez precoce. Nesse contexto, deve-se analisar como a omissão estatal e familiar influenciam tal problemática.
Em primeira análise, é válido destacar a influência dos dogmas religiosos. Desde o período colonial o cristianismo impôs a exaltação da pureza sexual, de modo que se criou um tabu acerca da sexualidade. A sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas sociais de sua época, conforme defendeu o sociólogo Pierre Bourdieu, naturalizou esse pensamento e passou a reproduzi-lo, de forma a evitar o debate na esfera social. Em decorrência dessa falta de diálogo e informação, adolescentes curiosos vão buscar sanar suas dúvidas, muitas vezes, através da própria prática sexual, e acabam sendo vítimas da própria ignorância. Não é atoa que, de acordo com o Ministério da Saúde, mais de 65% dos casos de gravidez na adolescência são indesejados.
Outrossim, convém salientar que pessoas em situação de vulnerabilidade social estão mais propensas a uma gestação na adolescência. Isso porque a enorme desigualdade social que se apresenta no Brasil dificulta o acesso de pessoas marginalizadas a uma educação de qualidade. Dessa forma, os jovens acabam tendo uma baixa perspectiva em relação ao mercado de trabalho e a um futuro com melhores condições de vida. Tal fato pode ser ratificado pelo levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios em 2013, o qual mostra que cerca de 83% das adolescentes que são mães precocemente não estudam e nem trabalham.
Diante desses impasses, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação forneça uma melhor orientação acerca do assunto, por meio da promoção de palestras ministradas por especialistas em sexualidade juvenil e que sejam apresentadas nas escolas de ensino médio. Tal ação deve ser feita visando estimular uma maior abertura ao diálogo, esclarecer dúvidas e conscientizar sobre a importância da responsabilidade sexual. Desse modo, é possível que o bordão “Carpe Diem” seja seguido de uma maneira mais responsável e os índices de gravidez na adolescência diminuam.