Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2018
Na conjuntura contemporânea brasileira, a gravidez precoce deixou de representar um fenômeno normal de formação familiar, uma vez que as mulheres tiveram seus direitos ampliados e passaram a ter mais acesso à educação e ao mercado de trabalho. Dessa forma, a persistência dos altos índices de garotas grávidas traz à tona a discussão sobre como a omissão familiar e a falta de assimilação de informações retratam as causas dessa problemática.
Convém ressaltar, a princípio, a dificuldade de abordar sobre a gravidez precoce no ambiente doméstico devido o fato de muitos pais e responsáveis tratarem a sexualidade como tabu. Essa realidade evidencia uma visão distorcida do falar sobre sexo, pois muitos adultos atribuem essa conversa como uma maneira de impulsionar e adiantar o início da vida sexual dos jovens. Com isso, muitos adolescentes acabam influenciados por outras fontes de informações, como a pornografia e programas de humor, que apenas banalizam e erotizam as relações sexuais e dificultam na formação educativa da importância do uso de métodos contraceptivos. Assim, essa tendência tende a gerar um ciclo de gerações omissas com a juventude e de garotos e garotas se tornando pais mais cedo.
Além disso, é importante frisar que apesar do aumento significativo de canais seguros de informações e da difusão facilitada de métodos de prevenção, a alta taxa de garotas grávidas ainda persiste, uma vez que, segundo dados do Ministério da Saúde, a cada 5 partos realizados,1 é de meninas de 11 a 19 anos de idade. Assim, os jovens, muitas vezes pautados no fato de acharem que estão imunes ou que uma gestação representa um realidade distante, não absorvem e não colocam em prática os conhecimentos que os chega. Com isso, a gravidez não planejada, consequência dessa negligência, pode comprometer o futuro dos envolvidos, visto que há uma probabilidade de ocasionar a evasão escolar e, derivado disso, a má formação profissional, o que os torna suscetíveis a uma situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Portanto, fica evidente, que a gravidez precoce representar um problema social que deve ser discutido. Para tanto, cabe à escola em parceria com à família,por serem responsáveis pelo aprendizado e formação dos jovens, propor a discussão sobre educação sexual, por meio de palestras e oficinas, no intuito de desmitificar o tema e possibilitar o diálogo entre pais e filhos. Ademais, é importante o papel do Ministério da Saúde em aprimorar as campanhas de incentivo ao uso de métodos contraceptivos, através de recursos midiáticos, redes sociais e artistas que se aproximam com o cotidiano e cultura dos jovens, a fim de tornar-los mais adeptos e familiarizados com os preservativos. Desse modo, poderá garantir uma juventude responsável e preparada para o futuro.