Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 19/10/2018

O processo de colonização do Estado brasileiro, do século XVI ao XXI, foi marcado pela consolidação da desigualdade de gênero e pela coerção sexual. Hodiernamente, é possível notar o reflexo desse modelo colonial opressor na vida de meninas que engravidam no período da adolescência, seja pela construção do sexo como tabu social, seja pela violência obstétrica enfrentada por essas mães. Dessa forma, é preciso adotar políticas públicas voltadas à assistência do público em questão.

Convém ressaltar, a princípio, que a discussão sobre sexualidade é escassa no país pois ainda é considerada um tabu social. Consoante a Teoria dos Ídolos, do filósofo Francis Bacon, a qual afirma que as percepções humanas atrapalham a compreensão da verdade, é possível estabelecer uma analogia na qual a construção de mitos, em razão da falta de diálogo até mesmo entre pais e filhos sobre o tema, seria um forte implicador da gravidez precoce entre adolescentes. Nesse viés, nota-se a importância de se falar sobre sexualidade, haja vista que a prevenção da gravidez só é possível através do total conhecimento de métodos contraceptivos e também pela desmistificação do sexo.

Outrossim, destaca-se os impactos à saúde de uma gravidez no período da adolescência. Segundo um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), cerca de 70 mil adolescentes morrem anualmente de problemas relacionados à gravidez e ao parto. Isso ocorre, devido a questões não só fisiológicas, mas também pela falta de acompanhamento médico prestado a essas meninas, que deveriam ser mais assistidas pelas clínicas de maternidade, tendo um acompanhamento clínico intensivo. Sendo assim, é possível perceber a importância de o Estado atuar nessa problemática.

Fica evidente, portanto, que a gravidez na adolescência é um problema de saúde pública e precisa ser debatida. Primeiramente, as escolas devem promover aulas sobre sexualidade, as quais demonstrem como funcionam cada tipo de método contraceptivo e busquem desmistificar a prática sexual, a fim de que as jovens tenham seus direitos sexuais garantidos e seguros. Ademais, é preciso que o Estado crie “esquadrões médicos” voltados a assistência periódica de adolescentes gestantes, a fim de que mortes decorrentes de gestação sejam evitadas. Somente assim será possível melhorar as condições de vida de meninas que engravidam precocemente no país.