Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 18/10/2018
O filme “Juno”, de 2007, narra a historia da adolescente Juno, que, aos 16 anos, engravida do seu vizinho, Paulie Bleeker. O que se torna um problema no qual a personagem julga ser incapaz de lidar sozinha, já que se sente imatura para ser mãe. De maneira análoga, muitas jovens brasileiras vivenciam o drama da personagem, haja visto que, pelas conturbações da idade, acabam iniciando a vida sexual de maneira precoce, ou seja, tornam-se vulneráveis à gravidez na adolescência. Nesse âmbito, cabe analisar os imbróglios que corroboram a continuidade desse impasse na sociedade hodierna.
A princípio, cabe pontuar que, no contexto social vigente, o sexo é acondicionado como um tabu. Conforme ilustra o sociólogo Pierre Bourdieu, em sua teoria o “Habitus”, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e, ao longo das gerações, os reproduz de maneira sistemática. Sob a ótica sociológica, nota-se que as normativas prescritas pela Igreja Católica, no período colonial, as quais exaltavam a “pureza” do ser humano e condenavam as práticas sexuais como atos pecaminosos, ainda refletem na sociedade moderna. Dessa maneira, debates sobre a sexualidade, em especial na escola e no ambiente familiar, são negligenciados ao âmbito juvenil e, por conseguinte, a púbere inicia sua vida sexual de maneira despreparada.
Ademais, a gravidez na adolescência retrata uma crise na saúde pública nacional. Embora a Constituição de Federal de 1988, no seu artigo 6°, estabeleça como direitos sociais fundamentais a educação, a saúde, a segurança e a proteção à maternidade, muitos ainda não gozam dessa máxima normativa. Isso se evidencia, de fato, na falta de acompanhamento especializado para a maternidade, haja visto que devido à idade e às alterações biopsíquicas, apresentam um quadro de maior risco complicações durante o período de gestação, por exemplo, tentativas de abortamento, anemia, desproporção céfalo-pélvica, depressão pós-parto. Dessa forma, o negligenciamento no pré-natal não só apresenta um ameaça para a mãe, como também para a saúde do futuro recém-nascido.
É indubitável, portanto, que ações devem ser estabelecidas em prol da solução deste obstáculo. Em primeiro lugar, cabe ao Ministério da Educação implementar programas sócias, os quais incitem o dialogo aberto sobre a sexualidade entres os jovens , por meio de profissionais qualificados – médicos, psicólogos, professores -, a fim de estabelecer uma educação sexual que previna a gravidez imatura, como também as DSTS. Além disso, é mister que o Mistério da Saúde amplie o atual modelo de pré-natal nos hospitais, de modo a garantir o atendimento que possa, de maneira efetiva, propiciar o conforto e a saúde da púbere.