Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 18/10/2018

O homem cordial é um conceito desenvolvido pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda em seu livro “Raízes do Brasil”. Nele, virtudes bastante elogiadas por estrangeiros, como a generosidade e a compaixão, formam um traço marcado do caráter brasileiro. Entretanto, ao analisar o índice de gravidez na adolescência, tais valores citados anteriormente parecem não assimilarem-se à informação - de viés científico e social -, muito menos à educação sexual, que ainda nos dias atuais é tratada como tabu.

O pensamento empírico aristotélico, de que o ser é composto daquilo que constantemente pratica, garante filosoficamente que é impossível compreender algum meio sem antes ser introduzido pedagogicamente a ele. Logo, a falta de informação a respeito de assuntos introdutórios à educação sexual, como: embriologia, fisiologia sexual, riscos referentes ao ato sexual e demais importantes conceitos, gera o problema da imprudência sexual, que vem a causar o aumento de casos de DST´s e gestações indesejadas. Com tais assuntos fora ou não aplicados na grade do ensino público, a gravidade do problema aumentará gradualmente até tornar-se calamitosa.

Posteriormente à escassez informativa, a decadente educação sexual oferecida aos adolescentes brasileiros não é o suficiente - em termos de conteúdo - para capacitá-los e prepará-los aos inúmeros processos fisiológicos que a sociedade proporciona. Ao não serem instruídos a protegerem-se de doenças sexualmente transmissíveis e prováveis gestações, o número  de casos referentes a isso cresce exponencialmente entre os jovens, e, por consequência, interfere drasticamente na mobilidade social entorno dos mesmos. Periodicamente, os acontecimentos citados são mais recorrentes nas faixas de renda inferior, o que catalisa o problema, pois além de gestante ou enfermo, o jovem não contém o poder aquisitivo suficiente para cuidar do filho ou remediar adequadamente a enfermidade.

Dessa forma, é evidente que medidas são necessárias na resolução do impasse. Primeiramente, o Ministério da Educação deve, de forma pedagógica, introduzir brandamente a sistemática da educação sexual nas escolas a partir do 6º ano do ensino fundamental. Após isso, o mesmo deve aprofundar-se na educação sexual a partir do ensino médio, com palestras, aulas com sexólogos e biólogos altamente especializados que esmiúcem todas as ramificações deste tão importante assunto. Posteriormente, o Ministério Público deve trabalhar no desenvolvimento de um aplicativo didático que contenha variadas informações ímpares sobre a educação sexual, tal ferramenta deve ser disponibilizada a toda sociedade com o intuito de ampliar o alcance informativo e viabilizar queda nos índices de gravidez e DST´s na juventude. Com medidas assim em ação, a sociedade brasileira em si dará um importante passo rumo ao conceito de Sérgio Buarque de Holanda.