Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 09/10/2018

De acordo com o Fundo de População das Nações Unidas, o Brasil possui a sétima maior taxa de gravidez adolescente na América do Sul, com um índice de 65 gestantes para cada 1 mil adolescentes. Isto evidencia uma questão emergente, uma vez que a gestação precoce torna-se um impasse, em relação a formação acadêmica e mercado de trabalho. Dessa forma, a gravidez na adolescência fomenta alguns problemas sociais, como a educação familiar desqualificada, evasão escolar e abortos ilegais. Assim, faz-se necessário a preocupação e o cuidado tanto com a geração de adolescentes quanto com a geração de futuras crianças originadas por pais jovens.

Vale ressaltar, primeiramente, que apesar do debate social e o avanço medicinal relacionado a método contraceptivos, 66% das gestações prematuras são indesejadas e acidentais, segundo a pesquisa Juventudes na Escola, do Ministério da Educação. Com isso, a educação familiar proporcionada à criança é comprometida, visto que a responsabilidade moral dos pais encontra-se,  em formação. Logo, não há planejamento prévio dos jovens na criação de um novo indivíduo. Por isso, na ocorrência de uma gravidez durante a adolescência, tais adolescentes encontram-se amedrontados e, muitas vezes, são encorajados a praticar o aborto ilegal em clínicas clandestinas, as quais não são fiscalizadas pelo Ministério da Saúde e assim, proporcionam riscos à vida da mãe.

Outrossim, a evasão escolar torna-se um outro fator conseguinte da gravidez precoce, já que as mães jovens são obrigadas a interromper os estudos, porquanto a necessidade de amamentar e cuidar do bebê. Todavia, o relatório da UNESCO Juventudes e Sexualidade retrata a declaração de mães adolescentes em relação ao preconceito sofrido e ao desamparo de educadores da escola, os quais  reproduzem discursos machistas e desestimulantes à adolescente, ainda que a responsabilidade social dos professores seja instruir e amparar os seus alunos. Dessa maneira, as mães prematuras são motivadas, cada vez mais, a afastar-se da escola e assim, prejudica a inserção no mercado de trabalho.

Urge, portanto, a necessidade de uma rede de apoio pública fortalecida e desenvolvida pelo Ministério dos Direitos Humanos, oferecendo moradia, alimentação, atendimentos psicológico e pedagógico, além de trabalho e escola para jovens em situação de risco social. Dessa forma,  jovens mães não afetariam o desenvolvimento social dos seus filhos. Ademais, reformas no ambiente escolar pelo Ministério da Educação ao estabelecer estruturas favoráveis para mães adolescentes frequentarem as aulas, como a ampliação do acesso a creches e salas de aula restritas para as mães estudarem enquanto amamentam, seria essencial para o aumento da taxa de escolaridade de mães jovens e a inserção dessas no mercado de trabalho.