Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/10/2018
O casamento arranjado – prática comum na história da humanidade-, proporcionava o enlace matrimonial precoce de muitas moças com homens, geralmente, mais velhos. Isso fazia com que a vida sexual dessas meninas fosse iniciada precocemente e, consequentemente, estas engravidavam muito cedo. Na contemporaneidade, embora o casamento arranjado tenha caído em desuso, muitas jovens, ainda, sofrem com os casos de gravidez na adolescência. Estes, na maioria das vezes, estão associados com a situação de vulnerabilidade em que se encontram muitas adolescentes e, também, com o fato de a sociedade tratar a sexualidade como um tabu; o que, por sua vez, impede a disseminação de informações relevantes acerca do assunto. À face do exposto, a gravidez na adolescência é uma questão a ser analisada e debatida.
A priori, é notório salientar que parcela significativa das mulheres que engravidam muito cedo encontram-se em situações de vulnerabilidade, isto é, estão inseridas em um contexto cujo acesso à educação e recursos é restrito e desigual. Nesse ínterim, pode-se afirmar que essas condições corroboram para a falta de informações sobre os casos de gravidez precoce, bem como, a utilização métodos contraceptivos.
Por conseguinte, é válido destacar que, consoante Michel Foucault, as sociedades atuais tendem a tratar certos assuntos como tabu, dentre eles, a sexualidade. Diante disso, infere-se que esses tabus impostos pela sociedade, na maioria das vezes, interferem na relação entre pais e filhos que, devido a isso, em grande parte dos casos, deixam de orientar seus filhos sobre a importância de uma vida sexual saudável e segura. Outrossim, esse tabu, na maioria dos casos, faz com que os demais setores da sociedade evitem abordar esse problema.
Em síntese, a gravidez na adolescência é uma questão de saúde pública que atinge grande parte das jovens brasileiras. Para amenizar tal situação, é necessário que o Estado, por meio dos Ministérios da Saúde e Educação, implemente programas de atendimento a grupos que se encontram em situações vulneráveis, visando assegurar a propagação de informações acerca dos casos de gravidez na adolescência, assim como, seus riscos e a importância de fazer uso de métodos contraceptivos. Paralelo a isso, cabe às Famílias- base da socialização primária do indivíduo-, juntamente às Escolas – formadoras do senso crítico dos cidadãos-, por meio de rodas de conversa, abordarem a importância do diálogo sobre essa questão; objetivando, dessa forma, desconstruir tabus acerca do assunto, elucidar dúvidas remanescentes e ressaltar a relevância da adoção de uma vida sexual saudável, a fim de prevenir possíveis DST’s e, sobretudo, mitigar os casos de gravidez na adolescência.