Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/10/2018

Em sua obra “Clara dos Anjos”, o autor Lima Barreto narra a história de Clara, uma menina de dezessete anos de idade que, após se relacionar com Cassi Jones, engravida do rapaz. Contudo, apesar de ter sido escrito no século XX, o romance parece dialogar com a atual conjuntura brasileira, visto que o número de juvenis grávidas cresce exponencialmente, de modo a corroborar a manutenção de desigualdades sociais e colocar em risco a saúde da mãe e do recém-nascido.

Nesse viés, pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a gravidez precoce está associada à vulnerabilidade econômica, uma vez que 56,3% das adolescentes grávidas em 2015 encontravam-se em situação de pobreza. Assim, como justificativa do quadro apresentado, insere-se o pouco acesso a métodos contraceptivos e a abordagem precária do tema nas regiões periféricas. Entretanto, observa-se a gravidade da situação ao analisar dados do IBGE, que mostram que 70% dessas jovens negligenciam os estudos após a descoberta da gestação, de maneira a reduzir a expectativa de ascensão social, promover as divergências econômicas e contribuir para a manutenção desse cenário, visto que, segundo Immanuel Kant: “o homem é aquilo que a educação faz dele”.

Em segunda instância, assim como a gravidez precoce não planejada contribui para a manutenção da pobreza, ela ocasiona também riscos à saúde da gestante e do neonato. Nesse âmbito, conforme a Organização Pan-Americana da Saúde, cerca de 1,9 mil adolescentes morreram no ano de 2014 em decorrência de problemas de saúde durante a gravidez, o parto ou o pós-parto; ademais, a gestação precoce é responsável por aumentar as chances da ocorrência de um parto prematuro e o nascimento de crianças subnutridas. Dessarte, verifica-se a gravidez na adolescência como fator comprometedor da saúde individual, devendo, por isso, ser evitada.

Urge, portanto, a adoção de medidas que solucionem essa problemática. Para tal, é conveniente que a mídia, em parceria com o Ministério da Saúde, divulgue e realize feiras periódicas em áreas periféricas, que promovam a distribuição de preservativos e contem com a participação de médicos ginecologistas e obstetras, a fim de proporcionar atendimento gratuito a população gestante e sanar dúvidas das adolescentes locais, com o intuito de favorecer a disseminação de informações, o acesso a métodos preventivos e a manutenção da saúde de jovens e crianças.  Quem sabe, assim, a história de Clara não seja tão frequente no cenário brasileiro.