Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 05/09/2018
A gravidez na adolescência no Brasil tem sido um tema preocupante. As altas taxas de fertilidade entre as jovens, os obstáculos sociais enfrentados pelas mesmas, as dificuldades em debater o assunto em ambiente familiar, e a carência de educação sexual nas escolas são exemplos ilustradores desse regresso contínuo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de nascimentos a cada mil adolescentes entre 15 e 19 anos é de 68,4, sendo o maior índice da América Latina. Assim, torna-se necessária a adoção de novas medidas que atenuem a questão.
Por meio das Revoluções Industriais, em meados do século XX, e mediante ao desenvolvimento dos anticoncepcionais na década de 1960, houve uma transformação nos relacionamentos e no comportamento feminino, já que as mulheres puderam desvincular a vida sexual da reprodutiva e ficaram mais independentes para o mercado de trabalho. Contudo, essas alterações não acompanharam a necessidade de transmitir informações em ambiente familiar, por exemplo o uso de preservativos e a importância do acompanhamento pré natal. Assim, esse tabu gera um desconforto nos filhos em dialogar, o que favorece o uso de métodos menos eficazes como a tabelinha e o coito interrompido, assim como uma gravidez de risco com possíveis complicações no parto por não ter sido procurado o auxílio médico.
Outro fator que impulsiona o problema é a falta de educação escolar. Para o sociólogo Émile Durkheim, o papel da educação é formar um indivíduo que se torne parte do espaço público, e não apenas um ser com desenvolvimento intelectual destacado. Entretanto, as instituições de ensino têm constantemente negligenciado um orientação sexual adequada, além de impedir a criação de cidadãos instruídos. Dessa maneira, destaca-se a alta taxa de fecundidade entre as jovens, exemplificadas pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que desde 1980 o número de grávidas jovens aumentou 15%, na qual 1,3% desse total são partos realizados em garotas de 10 a 14 anos.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o impasse. Segundo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Dessa forma, o ministério da educação deve implantar leis para estabelecer educação sexual nas escolas, por meio de profissionais adequdos que ensinem respeito do impacto de uma gravidez precoce, da importância da contracepção e do planejamento familiar, para que os jovens se sejam instruídos. Além disso, o Ministério da Saúde deve efetivar a redução de impostos sobre medicamentos anticoncepcionais, através da criação de legislações e fiscalização dos preços que fornecem esses medicamentos, para que haja maior acesso dos métodos contraceptivos, e, assim, redução da gravidez adolescente em solo nacional.