Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 05/09/2018

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a gravidez precoce é caracterizada pela ocorrência em jovens com idades entre 10 e 20 anos. No Brasil, esse fenômeno tem se manifestado de modo crescente, o que é preocupante em virtude dos impactos gerados nas vidas dos jovens pais e da criança. Assim, além dos riscos às saúdes da mãe e do filho, a concepção precoce também conta com o despreparo educacional e profissional dos pais, o que os incapacita quanto a promoção de um ambiente adequado para o desenvolvimento da criança.

Diante desse cenário, uma importante problemática ligada a gravidez na adolescência são as altas probabilidades de complicações como a má-formação do feto, eclâmpsia, riscos de rejeição do bebê e parto prematuro. No entanto, apesar de tais riscos, há um número considerável de mães adolescentes, no Acre, por exemplo, 27% dos bebês que nascem são de garotas jovens. Consoante os riscos apontados, é paradoxal a ocorrência do aumento desse fenômeno, o que pode estar, desse modo, associado a falta de orientação preventiva, já que, segundo o Ministério da Saúde, apenas 61% dos jovens entre 15 e 24 anos usaram preservativo na primeira relação.

Outro fator agravante é o despreparo parental, ou seja, trata-se de indivíduos inexperientes, geralmente em fase escolar e fora do mercado de trabalho, logo, desprovidos de condições necessárias para fornecer recursos educacionais e estruturais para uma criança. Além disso, diante da evasão escolar de 76% das adolescentes grávidas, as chances de ascensão social delas são praticamente minadas e, o filho muitas vezes vê-se fadado a vulnerabilidade social e a um destino semelhante ao da mãe. A título de exemplo, o documentário “Meninas” mostra que é muito comum mães adolescentes gerarem crianças que na adolescência também conceberão, o que denota uma espécie de determinismo.

Evidencia-se, por conseguinte, a necessidade de conter o avanço da gravidez na adolescência. A fim de recrudescer a conscientização preventiva, o Ministério da Saúde deve promover palestras nas escolas sobre métodos contraceptivos , para alunos a partir dos 10 anos, por meio do recrutamento de profissionais qualificados. Ademais, a fim de possibilitar um futuro mais promissor aos jovens pais, o Governo Federal deve incentivar os estudos desses cidadãos por meio da ampliação de ofertas de creches e projetos que aliem trabalho remunerado com escola, por intermédio de convênios com empresas que empreguem o jovem em meio período. Dessa forma, será possível, para eles, sustentar a família sem prejudicar os projetos acadêmicos que poderão realmente mudar os seus destinos e dos seus filhos positivamente.