Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 27/08/2018

Na obra Capitães da Areia, de Jorge Amado, é perceptível a sexualidade precoce e a insipiência sexual presente nas personagens. A obra mencionada se passa na década de 1930, entretanto, o problema persiste até a contemporaneidade. Esse fato se verifica ao notarem-se diversos casos de gravidez em adolescentes no Brasil. Tal problemática relaciona-se à ignorância sexual ligada à negligência governamental, além das precárias condições socioeconômicas que esse grupo vulnerável está sujeito.

Em primeira análise, é indubitável que os adolescentes estão cada vez mais ativos sexualmente. Portanto, seria correto que a sociedade que inclui o Estado e a família interviesse para devida orientação sexual. No entanto, isso não acontece, visto que os índices de gestantes adolescentes estão preocupantes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em 2015, a cada 1000 adolescentes brasileiras, aproximadamente 70 delas já tiveram um filho. Isso é lamentável, pois é perceptível a negligência que esse grupo está sofrendo.

Além disso, vale salientar que o sexo ainda é um tabu que permeia as famílias brasileiras. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, as famílias são máquinas que produzem personalidades. Portanto, é correto afirmar que esse paradigma será passado por diversas gerações, e irá prejudicar diversos jovens se não for quebrado. Até porque, uma gravidez não planejada na vida dessas meninas pode causar danos físicos e psicológicos. O corpo e a mente de uma adolescente não estão biologicamente preparados para suportar tais mudanças morfológicas, e, portanto, pode causar as gestações de risco. Essas gestações são perigosas e podem oferecer riscos para a mãe e para o bebê, pior ainda se não houver um acompanhamento médico, e que, infelizmente, acontece muito nas periferias do Brasil por falta de infraestrutura do SUS (Sistema Único de Saúde).

Portanto, urge que o Estado em conjunto com as famílias intervenha nessa problemática de saúde pública. É imprescindível que o Governo Federal em conjunto com o MEC promova palestras de cunho educativo nas escolas pronunciadas por sexólogos para orientar os jovens estudantes sobre a vida sexual. Não somente os jovens, mas também convidar os pais para participarem de oficinas onde serão distribuídos preservativos, bem como, apresentar os demais métodos contraceptivos informando-os de como usa-los e onde consegui-los. Outrossim, é necessário que a Executivo destine mais verbas para os hospitais públicos, isso irá melhorar a infraestrutura dos mesmos para que o atendimento às jovens grávidas seja digno, e isso irá diminuir a mortalidade materna. Dessa forma, o paradigma dos Capitães da Areia será quebrado, e as futuras gerações serão amparadas.