Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 27/08/2018

Mais bonecas e menos bebês

Em 1933, O triste recorde da peruana Lina Medina que ficou grávida aos 5 anos chocou o mundo. Na geração hodierna, os números de gravidezes não planejadas, assim como o de Lina, avançam com números significativos, evidenciando a urgência de alteração desse cenário preocupante. Além disso, os riscos dessa gestação precoce simbolizam uma pedra no caminho à efetivação da saúde plena.               Tomando como norte a percepção do sociólogo zygmunt Bauman de que para modificar a realidade é preciso conhecê-la, é preocupante os crescentes índices de adolescentes que se tornam mães tão depressa. Essa ideia pode ser claramente ilustrada pela OMS a qual aponta que, entre 2000-2017, o número de meninas que tiveram uma gestação antes dos 13 anos triplicou. Dessa forma, infere-se que o elevado número de adolescentes que ainda trocam bonecas por bebês configura um calcanhar de Aquiles no que diz respeito ao progresso genuíno dos povos.

É necessário pontuar, também, as consequências que a jovem mãe pode sofrer diante de uma gravidez precoce. Nesse sentido, os caleidoscópios das dificuldades começam com a imaturidade do corpo da adolescente que ainda não está preparado para uma gravidez, podendo, assim, representar riscos à saúde orgânica e psíquica da adolescente. Assimilando essas vertentes, estudos nacionais divulgados pelo Ministério da Saúde em 2018, apontou que 40 % das adolescentes grávidas desenvolveram um quadro de eclâmpsia e depressão pós-parto.

Percebe-se, portanto, que uma abordagem holística é condição “ sine qua non” a uma ação em prol do bem coletivo. Isso se dará a partir do Tribunal de Contas da União, direcionando capital que, por intermédio do ministério da saúde, será revertido em acompanhamento médico (pré-natal) diferenciado à adolescentes com gravidez e oferta de mais métodos contraceptivos para evitar a gravidez precoce. Além disso, família e escola podem fornecer uma educação pautada na ONU, incrementada com discussões acerca da educação sexual, livre de tabus. À mídia, por fim, cabe usufruir de seu poder persuasivo, de forma positiva, agindo como dispersora de campanhas que alerte jovens para prevenção da gravidez na adolescência. Dessa forma, a era da liquidez será formada por meninas que “maternarão” mais bonecas do que bebês.