Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 16/08/2018
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando se mobiliza com o problema do outro. No entanto quando se observam as causas da gravidez na adolescência, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de educação sexual, seja pela dificuldade de acesso aos contraceptivos. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tal postura negligente da sociedade.
Dessa forma, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de políticas públicas focadas na orientação sobre a sexualidade rompe essa harmonia, haja vista a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEDAE) afirma que em São Paulo, no ano 2014, de todas mulheres grávidas 14,5% tinham menos de 19 anos.
Outrossim, destaca-se o difícil acesso aos contraceptivos como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que bons exemplos inseridos na sociedade difundindo informações sobre sexualidade e métodos contraceptivos devem tornar o assunto mais debatido, desconstruindo o tabu a respeito do tema.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC), com o apoio da sociedade e a força da classe politica, deve instituir nas escolas, aulas obrigatórias sobre sexualidade além de palestras regulares com especialistas da área. A fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.